quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Relacionando ciclo 1 e 2 Projovem Adolescente .

Percurso socioeducativo 1
‘’Criação do coletivo ‘’
Percurso 1 criação do coletivo
Percurso 2 consolidação do coletivo
Percurso 3 coletivo pesquisador
Percurso 4 coletivo criador

O projovem adolescente é um serviço socioeducativo de proteção social básica , inserido na política de assistência social –PNAS e no sistema único de assistência social –SUAS , vinculando ao centro de referência e assistência social CRAS . seu objetivo principal é complementar a proteção social à família , a pertir do apoio direto aos adolescentes jovens de 15 a 17 anos de famílias beneficiarias do programa bolsa família , programas e serviços de proteção social especial .
O projovem adolescente oferece um espaço de convivência social voltado ao desenvolvimento dos jovens para atuação critica e pró – ativa no seu meio social e no mundo do tarbalho , está organizado em dois ciclos anuais , desenvolve ações socioeducativas com coletivos de jovens (grupo de 25 ) , sob a responsabilidade de um orientador e demais facilitadores com acompanhamento e supervisão do CRAS .
• O ciclo 1 tem por objetivo tornar o coletivo de jovens um convívio afetivo , lúdico e solidário para os jovens . as ações socioeducativas devem propiciar novos conhecimentos sobre cultura , direitos humanos e socioassistenciais , esporte e lazer , meio ambiente , saúde e trabalho , valorizar a ação e a reflexão sobre valores éticos e estéticos .
• Os encontros conduzidos pelo orientador social se desenvolvem semanalmente apartir dos conteúdos e atividades dos temas transversais além de serem espaços de planejamento , avaliação e sistematização daparticipação dos jovens .

Quadro 1: Panorama do desenvolvimento dos Temas Transversais no Ciclo I

JUVENTUDE E DIREITOS
HUMANOS E SOCIOASSISTENCIAIS

Quem somos nós?
• Construção de regras de convivência
do grupo
• Igualdade, direito à diferença,
diversidade.
• Direitos civis e políticos
• Direitos de assistência social
• Direitos sociais e o papel da
sociedade civil organizada
• Direitos de populações específicas
• Sistema de garantia dos direitos
• Democracia e Participação Juvenil
JUVENTUDE E CULTURA

Trabalhar com a cultura
• O que é cultura?
• Cultura, tecnologia e comunicação
• Identidade e diversidade cultural
• Culturas e Juventudes
• Matrizes culturais e a diversidade na
formação da sociedade brasileira
• Cultura e cidadania
• Culturas e globalização: o que é ser
brasileiro em um mundo globalizado?
• Cultura, direitos humanos e diversidade
cultural no mundo globalizado
• Cultura digital
JUVENTUDE E ESPORTE E LAZER
• O que é cultura corporal?
• O esporte na sociedade moderna
• Esporte e suas contradições internas
• Tempo livre e tempo de trabalho:
quais suas implicações?
• Lazer e convivência social
• Cultura corporal e saúde
• Organização do esporte e do jogo
• Espaços e equipamentos de esporte
e lazer
• Organização da comunidade tendo
em vista as esferas Local-Global
• A síntese das ações coletivas
JUVENTUDE E MEIO AMBIENTE
• Meio ambiente é igual à preservação da
natureza?
• Qual é o meio ambiente do nosso lugar?
• Será que a proteção ambiental é realmente
importante?
• É só jogar o lixo no lixo?
• Cada um deve fazer a sua parte?
• As mudanças climáticas são mesmo uma realidade ?

Quem cuida do meio ambiente no Brasil?
• O meio ambiente trava o desenvolvimento
do país?
• Briga de “cachorro grande”?
• Meio Ambiente é política?
• Já ouviu falar em Agenda 21?
JUVENTUDE E SAÚDE
• Adolescência, território e
JUVENTUDE E TRABALHO
• Trabalho como arte e como técnica
condicionantes da Saúde


Trabalho e conhecimento

Adolescência e saúde

Trabalho e tempo livre

Vivenciando o crescimento e o

Mundo do trabalho, mercado de trabalho e
desenvolvimento

do consumo


Sexualidade e Direitos Humanos

Qualidade de vida e qualidade no trabalho

Direitos reprodutivos

Trabalho e mobilidade

Saúde oral: saúde da boca, saúde da

Trabalho e a formação do território
gente


Os direitos como conquista dos

Morbidade e mortalidade entre
trabalhadores

1. OBJETIVOS, ESTRUTURA E FUNCIONAMENTO DO PROJOVEM ADOLESCENTE – SERVIÇO
SOCIOEDUCATIVO
O Projovem Adolescente é um serviço socioeducativo de Proteção Social Básica,
inserido na Política de Assistência Social (PNAS) e no Sistema Único de Assistência Social
(SUAS), vinculado ao Centro de Referência e Assistência Social – CRAS. Sua principal diretriz é
complementar a proteção social à família, a partir do apoio direto aos jovens de 15 a 17 anos
de famílias beneficiárias do Programa Bolsa Família, vinculados ou egressos de programas e
serviços de Proteção Social Especial, ou sob medidas de proteção ou socioeducativas do
Estatuto da Criança e do Adolescente, exceto em cumprimento de medida de internação.

O Projovem Adolescente oferece um espaço de convivência social voltada ao
desenvolvimento de potencialidades dos jovens e aquisições para atuação crítica e proativa no
seu meio social e no mundo do trabalho. Orienta-se para o incentivo ao retorno e à
permanência do jovem na escola, o fortalecimento de seus vínculos familiares e comunitários,
a ampliação do acesso às políticas públicas, o fortalecimento de sua autonomia e o estímulo ao
seu protagonismo social.

O serviço está organizado em dois ciclos – Ciclo I e Ciclo II –, que desenvolvem ações
socioeducativas com Coletivos de Jovens (grupos de 25 jovens), sob a responsabilidade de um
Orientador Social e de um ou mais Facilitador(es) de Oficinas, com o acompanhamento e a
supervisão de profissional de nível superior do CRAS.

a) O Ciclo I tem por objetivo tornar o Coletivo de Jovens um espaço de referência
formativa e de convívio afetivo, lúdico e solidário para os jovens, que gera oportunidades para

o desenvolvimento de criatividades e instiga novos interesses. As ações socioeducativas
devem:

propiciar novos conhecimentos sobre cultura, direitos humanos e socioassistenciais,
esporte e lazer, meio ambiente, saúde e trabalho;

valorizar a ação e a reflexão sobre valores éticos, estéticos e a cidadania;

promover vivências coletivas, no território e na cidade, capazes de sensibilizar e
mobilizar o interesse comum dos jovens para o desenvolvimento de ações de
interesse social no Ciclo II.
O Ciclo I está organizado em quatro Percursos Socioeducativos que traçam o caminho
a ser percorrido pelos Coletivos no primeiro ano do Projovem Adolescente, ordenando as
ações socioeducativas e orientando o trabalho dos profissionais que atuarão junto aos jovens:


· Percurso Socioeducativo I: “Criação do Coletivo”
· Percurso Socioeducativo II: “Consolidação do Coletivo”
· Percurso Socioeducativo III: “Coletivo Pesquisador”
· Percurso Socioeducativo IV: “Coletivo Questionador”
A duração do Ciclo I e a de cada um dos quatro Percursos Socioeducativos que o
compõem devem ajustar-se ao ritmo e as características específicas de cada Coletivo, em
sintonia com a dinâmica do contexto local em que se insere. O Ciclo I efetivamente termina
quando o Coletivo de jovens, com base nas ações socioeducativas realizadas até o final do
Percurso Socioeducativo IV, for capaz de caracterizar motivações e interesses comuns,
formular e concluir por desafios presentes na realidade social que vão pautar a atuação social
dos jovens no território desde o início do Ciclo II.

A respeito da organização dos tempos, para fins de ordenamento do trabalho da
equipe de profissionais responsável pelo Projovem Adolescente, estima-se a duração
aproximada de um ano para a conclusão do Ciclo I, com cerca de três meses para o
desenvolvimento de cada um dos quatro Percursos Socioeducativos previstos. O ritmo de
desenvolvimento dos percursos socioeducativos deve ser constantemente avaliado, com
flexibilidade, considerando-se que o Coletivo pode necessitar de um período maior ou menor
de estudos e vivências, internas e externas, para alcançar o amadurecimento requerido ao
final do Ciclo I, para o início do Ciclo II. É importante, no entanto, observar rigorosamente,
durante os dois ciclos do Projovem Adolescente, a carga horária semanal de 12h30m, de forma
a assegurar a continuidade e sistemática de participação dos jovens no serviço.

b) O Ciclo II tem por objetivo consolidar o Coletivo de Jovens como espaço de
referência formativa que aprofunda a orientação e a formação para o mundo do trabalho e
para a participação cidadã. Promove a apropriação de tecnologias de comunicação e
instrumental de planejamento participativo, convergindo para o desenvolvimento pelos jovens
de projetos coletivos de interesse social que representem experiências práticas de exercício da
cidadania. O Ciclo II está organizado em apenas um percurso socioeducativo e propõe um
conjunto de ações voltadas à articulação de conhecimentos, recursos materiais e humanos que
proporcionem a consolidação das aquisições promovidas pelo Projovem Adolescente no
primeiro ano de trabalho conjunto e a ampliação da capacidade de realização pelos jovens de
suas potencialidades: Percurso Socioeducativo V – Coletivo Articulador-Realizador.

Dessa forma, as ações socioeducativas do Ciclo II do Projovem Adolescente
desenvolvem-se num novo patamar, prevendo-se o planejamento e a implementação de ações


sociais no território, protagonizadas pelos jovens, a partir da elaboração de um Plano de
Atuação Social (PLA) e da execução de projetos coletivos de interesse social que o concretizam.
Por outro lado, investe-se, agora de forma concentrada, na Formação Técnica Geral (FTG) dos
jovens, visando à inserção futura no mundo do trabalho, o que abrange o exercício de diversas
capacidades transversais, concomitantemente ao desenvolvimento de habilidades de
comunicação oral e escrita – enfatizando a inclusão digital – e ao desenvolvimento individual
de um Projeto de Orientação Profissional (POP).


2. CONCEPÇÃO E METODOLOGIA DAS AÇÕES SOCIOEDUCATIVAS
A concepção e as diretrizes metodológicas das ações socioeducativas do Projovem
Adolescente foram construídas a partir dos três eixos estruturantes que visam ao
desenvolvimento integral dos jovens nas diversas dimensões de sua vida como indivíduo,
como cidadão e como futuro profissional, e buscam orientar suas vivências na família, na
escola, na comunidade e na sociedade. Os eixos estruturantes aos quais nos referimos são:

A Convivência Social – valorização da pluralidade e da
singularidade da condição juvenil, das formas particulares de

EIXOS ESTRUTURANTES
socialidade e sociabilidade dos jovens e da criação de vínculos e
interação com os seus pares, a família, a escola, o mundo do
trabalho e a comunidade;
A Participação Cidadã – sensibilização para os desafios da
realidade socioeconômica, cultural, ambiental e política de seu
meio social; reconhecimento de direitos; estímulo às práticas
associativas e a todas as formas de expressão, aos
posicionamentos e visões de mundo no espaço público;
O Mundo do Trabalho – introdução aos conhecimentos, técnicas e
práticas sobre o mundo do trabalho; desenvolvimento de
habilidades gerais e capacidades transversais; orientação para a
escolha profissional consciente e com visão crítica; inclusão digital
e nas tecnologias de comunicação, associando o trabalho à
realização pessoal e à transformação da realidade.

CONVIVÊNCIA
SOCIAL
MUNDO DO
TRABALHO
PARTICIPAÇÃO
CIDADÃ
Esses três eixos estruturantes articulam e integram seis temas transversais, seus
conteúdos e atividades teóricas e práticas, com base nos quais são desenvolvidas as ações

socioeducativas.


EIXOS ESTRUTURANTES E TEMAS TRANSVERSAIS

JUVENTUDE E
DIREITOS HUMANOS E
SOCIOASSISTENCIAIS
JUVENTUDE E
TRABALHO
JUVENTUDE E
CULTURA
JUVENTUDE E
MEIO AMBIENTE
JUVENTUDE
E SAÚDE
JUVENTUDE E
ESPORTE E LAZER
CONVIVÊNCIA SOCIAL
PARTICIPAÇÃO CIDADÃ
MUNDO DO TRABALHO
É a articulação entre os eixos estruturantes e os temas transversais que propicia aos
jovens a construção de uma visão integrada dos conhecimentos de cultura, direitos humanos e
socioassistenciais, esporte e lazer, meio ambiente, saúde e trabalho. Em cada Percurso
Socioeducativo, os temas transversais desenvolvem conteúdos teóricos e atividades práticas,
orientando e apoiando a realização das ações socioeducativas a serem propostas pelo Orientador
Social em seu trabalho com os jovens.

Os temas transversais, articulados entre si e integrados pelos eixos estruturantes,
seguiram as diretrizes concebidas no Traçado Metodológico, fundamentadas em dimensões
metodológicas e princípios orientadores, visando tanto ao desenvolvimento das ações
socioeducativas, quanto ao trabalho a ser realizado com os jovens pelo Orientador Social e
demais profissionais.

DIMENSÕES METODOLÓGICAS

DESENVOLVIMENTO
INTEGRAL
DIMENSÃO
DIALÓGICA
DIMENSÃO
LÚDICA
DIMENSÃO
ESTÉTICA
DIMENSÃO
REFLEXIVA
DIMENSÃO
COGNITIVA
DIMENSÃO
AFETIVA
DIMENSÃO
ÉTICA

Partir dessas dimensões metodológicas3 para o desenvolvimento das ações

socioeducativas e para o relacionamento com os jovens significa:


valorizar o aprendizado mútuo, a troca de ideias e de experiências e estimular o
desenvolvimento de postura crítica a partir da reflexão sobre o cotidiano e suas vivências
(dimensões dialógica e reflexiva);

ampliar a capacidade de analisar, comparar, refletir e de acessar informações e
conhecimentos, bem como de reproduzir e criar novos saberes (dimensão cognitiva);

investir no desenvolvimento de relacionamentos interpessoais, na construção de
interesses comuns e na criação de vínculos afetivos (dimensão afetiva);

exercitar a tolerância, a cooperação, a solidariedade, o respeito às diferenças e a
cidadania (dimensão ética);

desenvolver sensibilidades para a percepção do outro em suas diferenças e na diversidade
de suas expressões artísticas, culturais, étnicas, religiosas, de condições físicas e de
orientação sexual (dimensão estética); e

valorizar o jogo, a brincadeira e a alegria no jeito de ser jovem, para seu desenvolvimento
integral e sua emancipação (dimensão lúdica).
Para assegurar essas dimensões metodológicas na implementação das ações
socioeducativas e para que de fato contribuam para o desenvolvimento dos jovens, o seguinte
conjunto de princípios deve orientar o relacionamento dos profissionais do Serviço
Socioeducativo com os mesmos:


a criação de espaços socioeducativos pautados pela liberdade de expressão e por práticas
democráticas;

a corresponsabilidade e a participação dos jovens no planejamento, na execução, na
avaliação e sistematização das ações socioeducativas;

a valorização do saber e da vivência dos jovens como o ponto de partida das ações
socioeducativas;

a construção coletiva de conhecimentos, tornando os jovens sujeitos ativos de sua
formação;

a articulação entre os projetos pessoais e coletivos, entre o privado e o público, o local e o
global, o particular e o geral como condições de ampliar e qualificar as experiências
individuais e coletivas;
3 As dimensões estão detalhadas e explicadas na publicação “Projovem Adolescente – Serviço
Socioeducativo – Traçado Metodológico – Ciclo I e Ciclo II”. Ministério do Desenvolvimento Social e
Combate à Fome -MDS:.Brasília, 2009.



o estímulo ao protagonismo e autonomia dos jovens;


a reflexão crítica e permanente sobre os preconceitos e discriminações em relação às
questões de gênero, etnia, culturas, religiões, condições sociais e econômicas,
preferências sexuais, condições físicas, mentais e cognitivas.

3. PERCURSO SOCIOEDUCATIVO IV: “COLETIVO QUESTIONADOR”
3.1. TRANSIÇÃO DO CICLO I PARA O CICLO II DO PROJOVEM ADOLESCENTE
O Percurso Socioeducativo IV, o último do Ciclo I, demarca a transição para o Ciclo II.
Neste percurso, todos os temas transversais devem ser trabalhados de forma integrada:
Juventude e Direitos Humanos e Socioassistenciais; Juventude e Meio Ambiente; Juventude e
Trabalho; Juventude Esporte e Lazer; Juventude e Cultura; e Juventude e Saúde. Trata-se de
resgatar as principais aprendizagens proporcionadas por cada um deles nos percursos
anteriores, visando à definição de focos de interesse comuns ao(s) Coletivo(s), que mobilizem
os jovens para o desenvolvimento de ações coletivas de interesse público que serão
detalhadamente planejadas e executadas no Ciclo II do Projovem Adolescente. Este é o
momento:


de checar o quanto o Coletivo de jovens avançou na compreensão dos temas
transversais e que expressão eles têm no território: que situações da realidade social
local sensibilizam os jovens a ponto de os desafiarem?

de problematizar e questionar: em quais desafios atuar coletivamente? Que situações
mobilizam o desejo dos jovens de intervir no território?

da inflexão do Ciclo I com o Ciclo II: o Coletivo que se estruturou e se constitui como um
grupo de trabalho que refletiu temas e desenvolveu práticas conjuntas faz agora
escolhas fundadas nas vocações, talentos e interesses que são expressão do perfil dos
jovens participantes.
Avaliar o estágio de desenvolvimento do trabalho socioeducativo em cada Coletivo é
uma tarefa importante para você, Orientador Social, planejar o desenvolvimento deste
percurso com vistas a alcançar as condições necessárias para iniciar o Ciclo II. Situações
diferenciadas vão apontar estratégias pedagógicas distintas que precisam ser analisadas
previamente. É possível que encontre nos Coletivos um dos cenários descritos a seguir:

a) O Percurso Socioeducativo IV se inicia com o Coletivo de jovens já posicionado em
relação aos temas transversais que despertaram maior interesse, possivelmente em razão de
características e condições da realidade local que propiciaram ou atraíram a convergência dos
jovens no decorrer das atividades socioeducativas desenvolvidas nos percursos anteriores;


b) O Percurso IV se inicia com uma multiplicidade de informações pesquisadas e nem
todas ainda sistematizadas pelos jovens sobre a realidade local, abrangendo todos ou grande
parte dos temas transversais desenvolvidos ao longo do Ciclo I.

Outras situações não previstas aqui podem caracterizar o estágio de cada Coletivo,
no que diz respeito ao grau de apropriação dos temas transversais apresentados até este
momento, e de desenvolvimento das atividades socioeducativas propostas no material
didático.

De toda forma, o Ciclo II é dimensionado para dar continuidade e desdobramento à
programação proposta no Ciclo I, propondo a montagem e o desenvolvimento pelos jovens de
um Plano de Atuação Social – PLA no território e a implementação de projetos de intervenção
em suas comunidades de pertencimento.

Para avaliar com precisão o momento em que se encontra o Coletivo, deve-se
considerar que, para o delineamento do Plano de Atuação Social – PLA, no início do Ciclo II, é
preciso ter claro quais interesses e motivações dos jovens se destacaram, a ponto de mobilizar

o seu efetivo engajamento numa ação social deliberada. Esta é a chave para o início do
processo de planejamento participativo que terá lugar no Ciclo II.
Por isso, a passagem do primeiro Ciclo para o segundo tem que ser processada e
ajustada por você, Orientador Social, de acordo com as características e a dinâmica do
trabalho com cada Coletivo de jovens. A partir do seu diagnóstico acerca do
“amadurecimento” de cada Coletivo é que se desenhará a melhor estratégia para o
desenvolvimento do Percurso IV:


se o Coletivo de jovens já definiu ou mostrou maior aproximação e identidade com
alguma situação desafiadora da realidade local ou com questões apresentadas por
algum ou alguns dos temas transversais nos percursos socioeducativos anteriores,
trata-se agora de buscar aprofundar a reflexão sobre ele(s) para consolidá-las.

se o Coletivo ainda está distante de identificar as situações e questões da realidade
que mais mobilizam o interesse dos jovens, faltando uma maior apropriação dos
conteúdos dos temas transversais, deve-se planejar mais tempo e atividades adicionais
para que, ao final deste percurso, se chegue a uma escolha refletida quanto ao(s)
desafio(s) a serem enfrentados no Ciclo II.
Em qualquer das hipóteses acima, será de grande utilidade realizar a leitura prévia
do volume sobre Participação Cidadã, do Percurso Socioeducativo V, que traz uma seleção de
“desafios prioritários” relacionados aos diversos temas transversais que, por sua importância e
abrangência, estão comumente presentes no cotidiano dos municípios brasileiros. Esses


desafios são apresentados numa perspectiva propositiva, ou seja, com pistas e caminhos que
possibilitam visualizar formas de intervenção na realidade local que resultem em melhoria da
qualidade de vida e na defesa de direitos. Além disso, um conjunto de relatos de experiências
exitosas de atuação social de jovens nessas temáticas é apresentado no mesmo volume, para
ilustrar e inspirar possibilidades de desenvolvimento do PLA e da montagem de projetos de
ações coletivas de interesse social pelos jovens.

Quadro 1: Panorama do desenvolvimento dos Temas Transversais no Ciclo I

JUVENTUDE E DIREITOS
HUMANOS E SOCIOASSISTENCIAIS

Quem somos nós?
· Construção de regras de convivência
do grupo
· Igualdade, direito à diferença,
diversidade.
· Direitos civis e políticos
· Direitos de assistência social
· Direitos sociais e o papel da
sociedade civil organizada
· Direitos de populações específicas
· Sistema de garantia dos direitos
· Democracia e Participação Juvenil
JUVENTUDE E CULTURA

Trabalhar com a cultura
· O que é cultura?
· Cultura, tecnologia e comunicação
· Identidade e diversidade cultural
· Culturas e Juventudes
· Matrizes culturais e a diversidade na
formação da sociedade brasileira
· Cultura e cidadania
· Culturas e globalização: o que é ser
brasileiro em um mundo globalizado?
· Cultura, direitos humanos e diversidade
cultural no mundo globalizado
· Cultura digital
JUVENTUDE E ESPORTE E LAZER
· O que é cultura corporal?
· O esporte na sociedade moderna
· Esporte e suas contradições internas
· Tempo livre e tempo de trabalho:
quais suas implicações?
· Lazer e convivência social
· Cultura corporal e saúde
· Organização do esporte e do jogo
· Espaços e equipamentos de esporte
e lazer
· Organização da comunidade tendo
em vista as esferas Local-Global
· A síntese das ações coletivas
JUVENTUDE E MEIO AMBIENTE
· Meio ambiente é igual à preservação da
natureza?
· Qual é o meio ambiente do nosso lugar?
· Será que a proteção ambiental é realmente
importante?
· É só jogar o lixo no lixo?
· Cada um deve fazer a sua parte?
· As mudanças climáticas são mesmo uma
realidade?
· Quem cuida do meio ambiente no Brasil?
· O meio ambiente trava o desenvolvimento
do país?
· Briga de “cachorro grande”?
· Meio Ambiente é política?
· Já ouviu falar em Agenda 21?
JUVENTUDE E SAÚDE
· Adolescência, território e
JUVENTUDE E TRABALHO
· Trabalho como arte e como técnica


condicionantes da Saúde


Trabalho e conhecimento

Adolescência e saúde

Trabalho e tempo livre

Vivenciando o crescimento e o

Mundo do trabalho, mercado de trabalho e
desenvolvimento

do consumo


Sexualidade e Direitos Humanos

Qualidade de vida e qualidade no trabalho

Direitos reprodutivos

Trabalho e mobilidade

Saúde oral: saúde da boca, saúde da

Trabalho e a formação do território
gente


Os direitos como conquista dos

Morbidade e mortalidade entre
trabalhadores

adolescentes


Planejamento, Programação e Controle da

Adolescência, território e
Produção – PPCP na ação socioeducativa.

condicionantes da saúde


Trabalho e comunicação

Promoção da saúde

Políticas públicas para a saúde do
adolescente/jovem
Enquanto o panorama dos conteúdos desenvolvidos nos temas transversais ao longo
do Ciclo I permite reconstruir com os jovens os caminhos trilhados pelo Coletivo, o panorama
dos temas transversais no Ciclo II é traduzido em “desafios”, que convidam e instigam os
jovens à ação. Vale ressaltar que o tema Juventude e Trabalho deixa de ser tratado como tema
transversal no Ciclo II, assumindo uma dimensão formativa, que viabiliza o eixo estruturante
do “Mundo do Trabalho”, por meio de uma Formação Técnica Geral (FTG).

Quadro 2: Panorama dos Temas Transversais no Ciclo II

JUVENTUDE E DIREITOS HUMANOS JUVENTUDE E CULTURA
E SOCIOASSISTENCIAIS
Desafios do tema:
Desafios do tema:

Cultura: nosso espaço comum

Cultura de tolerância e de Paz

Tempo Social: diversidade e integração

Acessibilidade

Inclusão Social: cidadania e integração

Convivência Comunitária

Inclusão Digital

Trabalho infantil

Gasto público

JUVENTUDE E ESPORTE E LAZER

Desafios do tema:


“Cantinho Jovem” – a ampliação democrática
de oportunidades para a prática de atividade
física

Do Berimbau ao Pandeiro, da Senzala ao
Coletivo: a capoeira como expressão dos
Jovens
JUVENTUDE E MEIO AMBIENTE

Desafios do tema:


Agenda 21 Local: vamos definir novos
rumos para a nossa comunidade?

Reciclagem

Meio Ambiente é igual à preservação da
natureza?

Mudanças Climáticas e Aquecimento Global


Os Jovens como Agentes Sociais nas

Meio Ambiente e desenvolvimento: dá pra
discussões de Programas de Esporte e Lazer
casar?
do Campo e da Cidade



Reivindicando espaços públicos de Lazer e
Esporte: o que considerar?

Sistema Nacional de Esporte e Lazer:
exercendo a cidadania coletiva
JUVENTUDE E SAÚDE

Desafios do tema:


Saúde para quê? Saúde para quem?

Questões de gênero e violência

Violência sexual contra crianças e
adolescentes

Gravidez indesejada, interrupção insegura
da gravidez e DST/AIDS

O que fazer ante a mortalidade dos jovens
por causas externas?
3.2. OBJETIVOS DO PERCURSO
Neste Percurso os desafios do Orientador Social são:

(a) Articular com os jovens uma visão de conjunto das ações socioeducativas desenvolvidas
desde que ingressaram no serviço socioeducativo, resgatando as aprendizagens dos temas
transversais;
(b) Estimular nos jovens visão crítica e atitudes proativas em relação aos desafios que se
apresentam na realidade social do seu território;
(c) Orientar os jovens para que definam e escolham desafios que tenham ressonância no
território e que os mobilizem para ações coletivas a serem planejadas e implementadas no
decorrer do Ciclo II.
Articulando interesses, conhecimentos e recursos.
Sonhando, criando, planejando e transformando.

1. Resgatar com o Coletivo o conjunto das aprendizagens construídas em cada tema
transversal, ao longo do Ciclo I;
2. Identificar os interesses comuns ao Coletivo e que foram sendo delineados nas
práticas conjuntas ao longo do Ciclo, assim como as habilidades trazidas e adquiridas pelos
jovens no processo socioeducativo vivenciado;

3. Selecionar e definir, no Coletivo, situações desafiadoras existentes no território em
que vivem, percebidas a partir das ações socioeducativas de saúde, direitos sociais e
socioassistenciais, esporte e lazer, meio ambiente e cultura e que mobilizam o engajamento
social dos jovens para o desenvolvimento de ações coletivas, que serão planejadas e
implementadas por eles no Ciclo II;
4. Desenvolver nos jovens competências comunicativas nas múltiplas linguagens
(jornal, fanzine, revista em quadrinhos, mídia digital, desenho, pintura, escultura, teatro,
música, poesia, dança, instalações de arte/exposições, vídeos, grafites, espetáculo circense,
entre outros), buscando-se interação entre oficinas e encontros, com vistas a também
desenvolver capacidades e habilidades gerais – cognitivas, afetivas, estéticas – envolvidas na
realização das atividades produtivas, sociais e culturais;
5. Socializar os saberes construídos pelos Coletivos de jovens sobre a realidade dos
territórios, promovendo o intercâmbio entre eles e com a comunidade do bairro ou região;
exercitando capacidades para planejar, tomar decisões, organizar e conduzir conjuntamente a
preparação de um evento ou atividade com este fim;
6. Realizar com os jovens – e com a equipe do Serviço e o técnico de referência do
CRAS – a avaliação do Ciclo I, processando os sentidos e os objetivos de cada um dos ciclos
socioeducativos e operando a transição para o Ciclo II .
3.3. PLANEJAMENTO DAS AÇÕES SOCIOEDUCATIVAS
Neste Percurso IV, os seis temas – Juventude e Direitos Humanos e Socioassistenciais,
Juventude e Cultura, Juventude e Esporte e Lazer, Juventude e Meio Ambiente, Juventude e
Saúde, Juventude e Trabalho – propõem atividades parecidas ou que se complementam. O
desafio do Orientador Social e do Facilitador de Oficinas é buscar no planejamento das ações
socioeducativas deste percurso, o desenvolvimento interdisciplinar dos temas, estimulando
para isso o exercício das diversas linguagens comunicativas trabalhadas. Para o alcance dos
objetivos deste percurso, sugerem-se três grandes ações orientadoras:

1. Desenvolvimento das ações socioeducativas propostas por cada tema transversal
apresentado no item 4 desta publicação.
2. Articulação dos temas transversais em atividades que contribuam para:

a) resgatar as aprendizagens desenvolvidas ao longo do Ciclo I que tiveram destaque
para os jovens, recorrendo aos conteúdos dos Cadernos do Orientador Social dos Percursos
Socioeducativos I a III e com apoio do Caderno do Percurso V – volume I – Participação Cidadã;

b) caracterizar e mapear situações da realidade local em que os saberes produzidos
sobre os temas estudados durante o Ciclo incidiram nas relações dos jovens com o território;

c) debater e definir os desafios temáticos (potencialidades e problemas) que mais
mobilizam o interesse dos jovens para a realização de ações sociais;

d) reconhecer as habilidades e talentos dos jovens do Coletivo, capazes de contribuir
para o desenvolvimento do Plano de Atuação Social – PLA que será construído e
implementado no Ciclo II, guiando o conjunto das ações dos jovens no território.

3. Sistematização e avaliação do Ciclo I e disseminação das aprendizagens entre os
Coletivos de jovens e com as comunidades de pertencimento dos jovens.
A seguir apresenta-se um conjunto de sugestões para você, Orientador Social, ordenar
e desenvolver as ações socioeducativas com cada Coletivo, especialmente as descritas nos
itens 2 e 3 acima apresentados.

· Que desafios mobilizam os jovens?
Você, Orientador Social, deve trabalhar com um panorama dos temas e com cada um
dos temas, criando condições e interações que propiciem aos jovens identificar situações que
nas suas comunidades devem e podem ser mudadas ou potencializadas. Os temas transversais
possibilitam uma visão integrada dessas situações e facultam subsídios para que o Coletivo se
acerque à realidade e a recorte objetivando suas ações.

Inicie construindo com os jovens uma descrição sobre como os desafios de cada tema
transversal se apresentam na realidade local na qual estão inseridos e o que representam para
a condição juvenil, ou seja, os impactos e desdobramentos que têm na vida cotidiana,
especialmente daqueles que integram o Coletivo.

Desafio é a expressão da vontade de agir frente a uma realidade indesejável que se quer
mudar ou superar.

É a expressão da vontade de criar uma situação ou realidade nova.

Um desafio sempre é formulado a partir da leitura da realidade e dos interesses de quem
a faz.


Nesse momento, é fundamental resgatar o que os jovens já pesquisaram e
elaboraram sobre cada tema transversal no Ciclo I, não apenas para enriquecer a reflexão, mas
evidenciar o que é mais representativo, expressivo e instigante para os jovens.


ATIVIDADE: A definição dos desafios do Coletivo de jovens
Orientador, esta é uma atividade para caracterizar motivações e interesses dos
jovens a partir de uma visão de conjunto dos temas transversais apresentados no Ciclo I e seus
principais desafios para a realidade local, sob a ótica dos jovens.

Organize cinco grupos de trabalho: saúde, meio ambiente, cultura, esporte e lazer,
direitos humanos e socioassistenciais. Cada um deve preparar uma dramatização sobre um dos
temas com três cenas diferentes que correspondam a até três situações que podem ser
identificadas na dinâmica do cotidiano e que sensibilizam os jovens.

Depois da apresentação e comentários de todo o Coletivo, liste as situações
apresentadas para objetivar a reflexão com os jovens e identificar com eles as situações que
despertam maior interesse e têm relevância na realidade local. Em que medida são
desafiadoras aos jovens?

Ao final, sistematize o que se mostrou mais significativo para o Coletivo. Os desafios
destacados serão, mais à frente, aprofundados no diagnóstico que fundamenta as ações que
serão detalhadas em projetos de ações coletivas a serem desenvolvidos pelos jovens.

Construídos no Ciclo I, os temas transversais dialogam entre si, a partir dos eixos
estruturantes “Convivência Social”, “Mundo do trabalho” e “Participação Cidadã”, o que
permite a caracterização de pontos em comum e de complementaridades entre eles.

Orientar os jovens para escolherem desafios de determinado(s) tema(s)
transversal(is) no(s) qual(is) vão aprofundar conhecimentos, vivências, sociabilidades e
desenvolver o PLA no Ciclo II não significa excluir ou abandonar os outros temas estudados.
A preocupação é “calçar” e “referenciar” um conjunto de ações que, na prática, permitirão
relacionar entre si questões sobre todos os temas: meio ambiente, saúde, cultura, esporte e
lazer, direitos humanos e socioassistenciais.


A intersetorialidade implica em compreender um tema não apenas em sua
especificidade, mas também sob a ótica de outros, de forma interrelacionada,
considerando o todo de conteúdos transversais estudados e que permitem uma visão de
conjunto e articulada.

· Construção de visão de conjunto e interdisciplinar sobre os temas transversais
Esse momento pode ser aproveitado por você, Orientador Social, como uma
oportunidade pedagógica de resgatar novamente a reflexão sobre o conjunto dos temas
transversais de forma articulada, construindo uma visão integrada sobre eles e permitindo aos
jovens a percepção dos aspectos econômicos, sociais, culturais e políticos ou outros, que são
comuns ao conjunto de desafios que foram priorizados por eles na atividade realizada
anteriormente.

Um jeito de organizar a reflexão é ordená-la em três dimensões: o contexto geral
(nacional ou regional), contexto local (município, bairro ou comunidade) e o contexto juvenil
(grupos, galeras, jovens do próprio Coletivo), caracterizando-se em cada uma delas como se
apresentam as interfaces entre os principais desafios de cada tema transversal; buscando
analisar aspectos comuns que perpassam o meio ambiente, os direitos humanos e
socioassistenciais, a saúde, a cultura, o esporte e o lazer.


ATIVIDADE: Aprofundando a reflexão intersetorial sobre os temas transversais
Peça aos jovens para reunirem tudo o que já produziram sobre o(s) desafio(s)
priorizado(s) e destacado(s) pelo Coletivo na atividade anterior. E peça para montarem um
grande painel, usando recortes de revista, colagem de trechos de textos, poesias,
desenhos etc.

Oriente-os a dividir em três partes o painel, sendo que a cada uma deve corresponder
a percepção e representação sobre os três contextos em que visualizam o desafio (1)
nacional/regional; (2) local/municipal e/ou comunitário; (3) grupos, galeras juvenis e/ou
Coletivo de jovens. Esses três painéis devem ser discutidos e interpretados conjuntamente.
Você, orientador, deve mediar a troca de opiniões e registrar em cartelas denominadores
comuns: fatores que condicionam e impactam as situações, ideias e sensações
representadas nos painéis. Ao final apresente as cartelas (em cada uma coloque apenas
uma ideia) aos jovens, complementem-nas e as colem nos painéis.


Em um segundo momento, finalize esta atividade solicitando aos jovens para
redigirem o(s) desafio(s) selecionado(s), e as explicações e fundamentos que o(s) torna(m)
prioritário(s) para o Coletivo e significativo(s) para a realidade local.

Esta atividade deve contribuir para que o Coletivo consolide a escolha do tema, desafio
e situação, ou mais de uma, que vai ser desenvolvida para atuação na comunidade. Trata-se
agora de avançar a reflexão para delinear caminhos para a atuação dos jovens na comunidade.

· Sistematização das aprendizagens
O Percurso Socioeducativo IV é um tempo pedagógico singular de resgate, análise e
avaliação das vivências e aprendizagens dos jovens sobre os temas, os territórios e sobre suas
próprias experiências de socialização. Para concluir este primeiro ciclo do trabalho
socioeducativo com os jovens, o Ciclo I é também momento de sistematização e socialização
entre os Coletivos e com outros grupos do território das experiências e reflexões dos jovens
sobre a realidade em que estão inseridos e as aprendizagens que produziram.

Lembre-se

No contexto do Projovem Adolescente, a sistematização é a resultante de ações de
resgate, registro, ordenamento e reflexão sobre metodologias, conteúdos e práticas
desenvolvidas ao longo do trabalho socioeducativo, que contribui para ressignificá-los e para
produzir novos conhecimentos.

A principal matéria-prima dos processos de sistematização se encontra nos registros
dos jovens constantes em seu “Diário do Projovem” (o registro de suas memórias, de suas
vivências e experiências e de sua autoavaliação) e nos diversos trabalhos produzidos,
individualmente ou no Coletivo e que estão expressos em textos, desenhos, poesias,
fotografias, mapas, vídeos, cartazes, gravuras etc., nos registros que você fez, Orientador
Social – e aqueles que fez o Facilitador de Oficinas – sobre os jovens, as ações socioeducativas
e os processos de trabalho, agrupados no “Caderno de Campo” (o registro de seu
planejamento e da memória das ações desenvolvidas com os jovens e com a equipe de
trabalho); e os que constam na “Pasta de Acompanhamento e Avaliação do Coletivo” o
registro da frequência dos jovens nos Coletivos e o acompanhamento da participação e do
desenvolvimento de cada um dos jovens e do Coletivo sob sua responsabilidade.


Portanto, neste momento de encerramento do Percurso IV e de transição do Ciclo I
para o Ciclo II é hora de lançar mão desses registros, analisá-los, relacioná-los, compará-los e
associá-los a outras experiências; refletir e articular uma visão de conjunto capaz de gerar uma
compreensão abrangente e em profundidade sobre o que foi vivenciado, e que aponta pistas
para a continuidade dos trabalhos socioeducativos no Ciclo II.4

· ATIVIDADE: Roda(s) de Conversa(s) no Coletivo
Orientador, os passos para desenvolver esta atividade são os seguintes:

Roda de Conversa 1 : “O que nos dizem os registros dos Diários?”

a) oriente os jovens para que, individualmente, reservem um tempo em casa para ler
os registros que fizeram em seu Diário do Projovem, procurando resgatar o que lhes parece
foram os quatro momentos mais significativos do Ciclo I, identificando-os com marcas
(desenhos, símbolos etc.) que expressem suas principais aquisições e conquistas no Ciclo I e
situando-as agora em uma “Linha do Tempo” desenhada sobre uma tira longitudinal de papel,
que abranja do início do Projovem Adolescente até o momento atual; oriente os jovens para
que tragam esse material para o encontro;

b) no Coletivo, após retomar com eles a tarefa preparada em casa, proponha aos
jovens que se reúnam em trios, socializem e comentem as “Linhas do Tempo” e as marcas de
cada um. A seguir, proponha que façam um esforço de síntese, que construam a “Linha do
Tempo” do trio, colocando nela as marcas e as aquisições que os três jovens foram fazendo ao
longo do Ciclo I;

c) por último, convide os jovens a formar um grande círculo e peça aos subgrupos que
quiserem, que apresentem as “Linhas do tempo” dos trios, suas marcas e aquisições,
encerrando com comentários gerais do Coletivo sobre esta primeira rodada de conversa
coletiva, a partir dos registros dos Diários dos jovens.

Roda de Conversa 2: “O que nos dizem os registros dos trabalhos realizados?



Nesta segunda rodada de conversa oriente os jovens na seguinte sequência:


4 Os temas transversais, assim como as experiências coletivas envolvendo jovens – que são relatadas no
Caderno de Participação Cidadã do Percurso V – , apresentam sugestões de dinâmicas que contribuem
para fazer a sistematização e a socialização dos aprendizados e estimular a participação, tanto entre os
jovens quanto com a população do território.


a) exponha sobre uma mesa todos os registros produzidos pelo Coletivo de jovens
(desenhos, textos, gravuras, fotografias, cartazes, resumos de trabalhos realizados, mapas etc.)
e convide a todos para entrar em contato com esses registros, recuperando os momentos em
que foram realizados e conversando entre si sobre o que se aprendeu com aquelas
experiências e atividades;

b) divida o Coletivo em quatro grupos e peça que cada grupo eleja, pelo menos, um tipo de
registro produzido (não importa se dois grupos elegem o mesmo registro) e, a partir dele(s) o
grupo deve fazer um esforço de memória e recuperar a experiência e o trabalho realizado,
procurando reconstruí-la em seu processo (início, meio e fim) e elencando o que entendem
foram suas principais contribuições (aprendizagem de conhecimentos, habilidades
desenvolvidas, valores aprendidos etc.);

c) cada grupo faz um painel apresentando o meio de registro escolhido, a experiência ou o
trabalho a que ele corresponde, com seus vários momentos e as principais contribuições que
ela proporcionou aos jovens;

d) por último, os grupos apresentam os seus painéis no Coletivo, comentando-os e
buscando em conjunto resgatar as marcas e contribuições do Ciclo I, que puderam ser
percebidas a partir dos diferentes registros feitos pelo Coletivo, ao longo do Ciclo.

A intenção é que as orientações e sugestões aqui apresentadas, sirvam de inspiração
aos Orientadores Sociais e aos Facilitadores de Oficina e que, juntamente com suas
experiências e os conhecimentos específicos advindos de suas áreas de formação e de sua
atuação no trabalho socioeducativo, possam contribuir criando e propondo diferentes
alternativas que sejam mais adequadas às diversas realidades que compõem o nosso país.

· A avaliação final do Ciclo I
A avaliação é um importante momento para demarcar o cumprimento de uma etapa
do trabalho com os jovens e extrair aprendizagens que subsidiem o planejamento do próximo
Percurso e/ou do próximo Ciclo. É um momento de balanço que deve ser feito individual e
coletivamente.

Lembre-se

A Avaliação é um processo intencional, contínuo, sistemático, qualitativo, cumulativo
que subsidia o planejamento das ações socioeducativas, verifica se os objetivos propostos
foram alcançados, gera formas de apoio aos jovens com dificuldades e é essencial para o
sucesso da proposta socioeducativa.


A seguir, apresentam-se sugestões de roteiros de avaliação, com algumas questões
iniciais, para autoavaliação dos jovens e avaliação pelo Coletivo, que devem ser ajustadas ao
final deste percurso e complementadas com a participação dos próprios jovens do Coletivo.

Quadro 4 : Itens sugeridos para a autoavaliação dos jovens do Percurso IV

1. Você está motivado para a participação no Projovem?
2. Participa do planejamento e da avaliação das atividades?
3. Como é sua participação nas atividades em grupo? Demonstra respeito pelos colegas; contribui
com suas ideias; aceita ideias e sugestões; tem iniciativa para realizar as atividades que lhe são
delegadas; aceita as decisões do grupo; cumpre os acordos e os compromissos decididos
coletivamente?
4. Expõe suas ideias e opiniões no Coletivo? Consegue se comunicar e se expressar?
5. O que mais se destacou e foi significativo para você no desenvolvimento de cada tema
transversal? Por quê?
6. Que aspectos positivos e negativos se destacam nas atividades das Oficinas de Convívio por
meio do Esporte e Lazer e da Arte e Cultura?
8. Está mobilizado para discutir suas experiências com a escola?
9. Está mobilizado para refletir sobre a relação com a família?
10. Como avalia as relações interpessoais com os outros jovens do Coletivo? E a convivência diária
no Coletivo?
11. Quais são os aspectos positivos e negativos da atuação do Orientador Social e do Facilitador?
12. Como avalia, no Projovem, a organização, os horários e as regras de convivência?
Quadro 5 – Itens sugeridos para a avaliação conjunta do Coletivo de Jovens do
Percurso IV


1. O Coletivo tem dialogado sobre as dificuldades e os acertos na convivência e no trabalho coletivo
entre os jovens no dia a dia?
2. As regras de convivência têm sido respeitadas?
3. Os objetivos da programação deste percurso socioeducativo foram alcançados?
4. O trabalho conjunto nos encontros e nas oficinas tem sido produtivo e tem proporcionado aos
jovens novas aprendizagens?
5. Quais são os desafios que se apresentam para a continuidade do trabalho?
Quadro 6: Itens sugeridos para avaliação final com o Coletivo de Jovens do Ciclo
I


1. Durante o desenvolvimento do Ciclo I quais foram os momentos mais marcantes (positivos e
negativos) vividos pelo Coletivo de Jovens?
2. O que os jovens levam para si mesmos de significativo, a partir da experiência vivenciada no
Coletivo durante o Ciclo I?

3. Que expectativas eles têm para a continuidade da participação no Projovem no próximo Ciclo no
que se refere à convivência, à participação cidadã e à preparação para o mundo do trabalho?
4. Que sugestões os jovens têm para aperfeiçoar o serviço socioeducativo?
Por fim, o orientador e o facilitador devem, juntos, sintetizar e registrar uma avaliação
individual de cada jovem ao final do Ciclo I, construída com o técnico do CRAS, para uso
interno do serviço socioeducativo, memória e monitoramento futuro da participação deste
jovem nos programas da assistência social e em outros programas do município.

Quadro 7: Itens sugeridos para ficha de avaliação individual do jovem pelo serviço
socieoducativo ao final do Ciclo I

· Assiduidade nas atividades socioeducativas do Projovem Adolescente.
· Interesse e compromisso com a agenda de trabalho do Coletivo de jovens.
· Integração e permanência na escola.
· Interação com seu núcleo familiar.
· Qualidade da convivência com outros jovens do Coletivo.
· Interação com seu entorno social/comunitário.
· Disposição para trabalhar em grupo.
· Compartilhamento de ideias e contribuições às discussões coletivas.
· Cumprimento dos acordos e compromissos decididos coletivamente.
· Realização das tarefas que lhes são delegadas.
· Capacidade de diálogo e negociação em torno dos conflitos.
· Capacidade de buscar e acessar informações que lhes sejam necessárias.
· Capacidade argumentativa para expressar e defender seus pontos de vista.
· Capacidade de se expressar por meio de linguagens artísticas.

· Socialização pelos jovens das aprendizagens
Compartilhar com jovens de outros Coletivos, com as famílias, a comunidade das
escolas e do bairro, os conhecimentos e experiências que os jovens adquiriram sobre os temas
trabalhados, os desafios escolhidos e as habilidades desenvolvidas. Como estratégia para
compartilhamento das aprendizagens e apresentação dos desafios temáticos escolhidos e das


indicações de atuação com eles no território, pode ser preparado e organizado um evento
intercoletivos, antecipadamente divulgado na comunidade.

ATIVIDADE: Festival Cultural

Organização pelos jovens de uma festa com exposição e outras atividades de
intercâmbio e participação coletiva (veja proposta detalhada no capítulo Juventude e Cultura).
Recomenda-se que seja planejada e desenvolvida de maneira integrada por diversos Coletivos,
por Orientadores Sociais, Facilitadores, técnicos do CRAS, marcando o encerramento do Ciclo I,

o comprometimento dos Coletivos de jovens com os temas/desafios escolhidos e a
apresentação dos desdobramentos previstos pelo Serviço Socioeducativo em sua continuidade
no Ciclo II.

4. CONTEÚDOS, ATIVIDADES E DINÂMICAS DOS TEMAS TRANSVERSAIS NO PERCURSO
SOCIOEDUCATIVO IV
Apresenta-se a seguir quadro com o detalhamento do conjunto de temas transversais
deste Percurso Socioeducativo, destacando-se os tópicos que compõem cada um deles e seus
respectivos objetivos. Este quadro oferece uma síntese do desenvolvimento dos conteúdos
propostos para cultura, esporte e lazer, direitos humanos e socioassistencias, meio ambiente,
saúde e trabalho, para todo o Percurso IV.

Quadro 8: Síntese dos tópicos e objetivos por tema transversal no Percurso Socioeducativo
IV


Juventude Direitos
Humanos
Socioassistenciais
Juventude e
Meio Ambiente
Juventude e
Trabalho
Juventude e
Cultura
Juventude e
Esporte e Lazer
Juventude e
Saúde


1. Democracia e
participação juvenil
Promover com os
jovens uma reflexão
sobre a democracia, o
sistema político, os
espaços de
participação juvenis e
as possibilidades de
atuação que oferecem.
1. Meio Ambiente
é política?
Discutir a
relevância das
políticas nacionais
e dos tratados
ambientais
mundiais como
instrumentos
essenciais de
proteção
ambiental.
Pretende-se situar
este processo num
contexto de
conflitos e de
disputas, e não de
harmonia. Busca
ainda mostrar que
os bastidores da
área ambiental são
de muito trabalho,
conflitos e
militâncias cidadã
e política.
2. Já ouviram
falar em Agenda
21?
Apresentar a
proposta da
Agenda 21 – o que
é, pra quê serve,
como funciona e
como ela pode ser
uma importante
ferramenta do
desenvolvimento
sustentável local.
Pretende ainda
incentivar os
jovens a
participarem da
criação ou da
implementação de
uma Agenda 21
no seu município
1. Planejamento,
Programação e
Controle – PPCP* –
na ação
socioeducativa
Introduzir as noções
de Planejamento,
Programação e
Controle nas
atividades
produtivas, sociais e
culturais como base
para a intervenção
mais consciente e
consequente dos
jovens na realidade.
Estímulo à
participação social e
política dos jovens e
do Coletivo na vida
cotidiana, a partir do
desenvolvimento de
uma metodologia de
planejamento de
ações
socioeducativas.
2 – Trabalho e
Comunicação
Desenvolver a
compreensão da
comunicação como
um elemento
importante e
constitutivo das
atividades humanas
e de trabalho,
estando integrada,
portando, a
Formação Técnica
Geral – FTG, através
da ampliação das
competências
comunicativas
(múltiplas
linguagens) e as
capacidades
transversais
(cognitivas, afetivas,
estéticas) envolvidas
na realização das
atividades
produtivas, sociais e
culturais.
1. Cultura digital
Propor ações
efetivas ao
alcance dos
participantes já
integrados num
coletivo capaz
de pensar sua
localidade.
Destacar o uso
das novas
tecnologias de
comunicação e a
renovação
cultural do ser
humano que faz
uso da
criatividade, da
sua capacidade
de sonhar e de
executar.
1. Organização da
comunidade tendo
em vista as esferas
Local-Global
Mostrar ao jovem a
relação entre o
local e o global, ou
seja, que a atuação
desenvolvida por
ele no
bairro/território em
que vive, influencia
e é influenciada
pela realidade em
sua totalidade.
2. A síntese das
ações coletivas
Mostrar ao jovem o
trajeto trilhado por
ele nos quatro
percursos: partindo
da concepção da
cultura corporal,
passando por ações
de reconhecimento
do grupo em que
conviveu, até
chegar a ações que
contribuem para
modificar sua
realidade, através
de pesquisas mais
elaboradas sobre as
condições
existentes para
praticar as
manifestações da
cultura corporal,
em favor da
construção da
cidadania coletiva.
1. Adolescência,
território,
condicionantes da
Saúde
Retomar o
instrumento usado
no Percurso
Socioeducativo I
para
caracterização das
vulnerabilidades
sociais do
território e
verificar as
mudanças que
possam/ou não ter
ocorrido desde
então.
2. Promoção de
Saúde
Resgatar a reflexão
sobre o significado
da promoção à
saúde para o
enfrentamento
dos fatores de
riscos que atingem
aos jovens.
3. Políticas
públicas para a
saúde do
adolescente /
jovem
O que são políticas
públicas? Quais
são as políticas
públicas em saúde
voltadas para os
jovens? O jovem
participa das
políticas públicas?


4.1. JUVENTUDE E TRABALHO
Este Percurso IV de Juventude e Trabalho propõe conteúdos e práticas que fecham o
Ciclo I do serviço socioeducativo e prepara o Coletivo para o Percurso V. As atividades
propostas pela formação técnica geral neste Percurso têm como objetivos aprofundar os
conhecimentos dos jovens sobre o mundo do trabalho e preparando-os para o itinerário de
240 horas de formação técnica geral e para a sua atuação social e no Percurso V.

Neste Percurso, a formação técnica geral estimula os jovens a uma intervenção mais
consciente e consequente na realidade, bem como à participação social e política do Coletivo
na vida cotidiana, através do entendimento da relevância do planejamento, da programação e
do controle nas atividades produtivas, sociais e culturais. Paralelamente, é importante
contribuir para desenvolver a compreensão da comunicação como elemento constitutivo das
atividades humanas, sobretudo as de trabalho, e ampliar as competências comunicativas nas
múltiplas linguagens, bem como as capacidades transversais – cognitivas, afetivas, estéticas –
envolvidas na realização das atividades produtivas, sociais e culturais.

Como nos Percursos II e III, este Percurso IV inicia com a Atividade de Avaliação,
através da Dinâmica da Estrada da Formação.


ATIVIDADE 1 – Dinâmica – “Estrada da formação”
Com esta dinâmica, objetiva-se a realização da avaliação pelos jovens, de forma
participativa, do Percurso Socioeducativo III e também se buscam elementos para avaliar o
Ciclo I, considerando o desenvolvimento de todas as dimensões do serviço. Esta dinâmica
permite a discussão coletiva das facilidades e dificuldades encontradas ao longo do Percurso e
do Ciclo I, com vistas a que sejam identificados problemas e encaminhadas propostas de
soluções para a continuidade da caminhada do grupo no Ciclo II.

O objetivo desta vivência não é estético, mas uma forma de propiciar a expressão
lúdica e criativa do que essa caminhada (a “estrada”) ao longo dos Percursos Socioeducativos
no Ciclo I representou para os jovens. O resultado deve ser comparado com os desenhos da
“Estrada da Formação” feitos nos Percursos anteriores.

Material de apoio: folhas de papel duplo ofício e lápis de cor, tesouras, revistas, colas e rolo de
fita crepe.

Convide os jovens para o processo de avaliação. 1. Distribua uma folha de papel para
cada participante; 2. Oriente-os a criarem símbolos (desenhados) que expressem as suas
vivências (dificuldades, facilidades, prazer e insatisfações) ao longo das atividades


desenvolvidas no Percurso Socioeducativo III, para a produção de uma síntese de seu
aproveitamento naquele Percurso, através de um desenho; 3. Sugira que os jovens elaborem
uma legenda com os símbolos criados; 4. Após a produção dos desenhos, peça que os fixem
nas paredes ou os exponham no chão, para a apreciação de todos; 5. Promova a socialização
da avaliação a partir da leitura dos desenhos: solicite um voluntário que exponha sua
autoavaliação do Percurso Socioeducativo III.

Importante! Crie um ambiente de confiança e solidariedade. Iniba manifestações
desrespeitosas. Reafirme o objetivo da avaliação sempre que necessário. Abra o debate. O
processo avaliativo em grupo deve buscar soluções coletivas. Não se furte ao diálogo. Faça
comentários, ora problematizando ora destacando a pertinência das análises.

Dica

Esta atividade não se confunde nem é redundante com a Atividade de Avaliação realizada ao
final de cada Percurso Socioeducativo. Aqui se oferece uma importante oportunidade para os jovens
utilizarem a linguagem plástica para a expressão dos seus sentimentos de forma criativa e
comunicativa. Estimule-os a criarem os símbolos da legenda de maneira livre, criativa e informativa.
Isso resultará, com certeza, em diferentes expressões plásticas e em diferentes avaliações sobre os
aspectos positivos e negativos avaliados pelos jovens. Por exemplo, para uns a “estrada” pode
implicar em atravessar uma montanha de obstáculos e pode ter um cume elevado que represente
uma grande dificuldade, que deve ser nomeada por eles, identificando a etapa, o assunto ou a
atividade que representou maior obstáculo para eles no Percurso III (ou em outros). Já, para alguns,

o caminho/estrada pode ser de pedras e acidentado e menos íngreme do que para outros. E haverá
ainda aqueles que desenharão um caminho em um campo silvestre, florido e aprazível, por exemplo.
A forma de desenhar e de utilizar os símbolos no desenho deve ser representativa dos aspectos que
no Percurso III representaram dificuldades, facilidades, alegrias, tristezas, enfim, as vivências
concretas dos jovens no processo socioeducativo.
No comentário das produções, observe o símbolo que representa o jovem, como ele se vê e se
retrata, e procure incentivar a interpretação da linguagem visual como uma importante habilidade
no mundo contemporâneo, muito presente em todas as formas de comunicação. Relacione a
linguagem corporal do jovem (já trabalhada no Percurso I em atividades de Cultura e de Esporte e
Lazer) através da autorrepresentação e valorize a sua expressividade.

Sugerimos que a cada momento da avaliação os produtos avaliativos (desenhos da
“estrada da formação”) anteriores sejam objetos de comparação e reflexão para que os jovens
possam visualizar possíveis avanços no processo e identificar algumas dificuldades ainda por
superar.

1 – Planejamento, Programação e Controle na Produção – PPCP na ação socioeducativa

O objetivo deste tópico é introduzir as noções de Planejamento, Programação e Controle nas
atividades produtivas, sociais e culturais como base para a intervenção mais consciente
e



consequente dos jovens na realidade e estímulo à sua participação social e política e do
Coletivo na vida cotidiana, a partir do desenvolvimento de uma metodologia de planejamento
de ações socieducativas.

Chegamos ao último Percurso socioeducativo do Ciclo I do Projovem Adolescente. Com
certeza, na caminhada muitos obstáculos tiveram que ser transpostos, mas foram realizados
com garra e determinação. O trabalho socioeducativo nos impõe compromisso, dedicação,
companheirismo, e lealdade com os jovens.

Cumprimos até aqui uma etapa de muitas novidades, desafios, reflexões e novas
aprendizagens para todos. Uma das tarefas que se colocam neste Percurso é a de consolidar e
sistematizar um conjunto de informações e conhecimentos produzidos coletivamente ao longo
dessa trajetória.

Tendo como referência as diretrizes gerais do Projovem Adolescente, especialmente no que
se refere ao estímulo à participação social e política dos jovens na vida pública, é que ora
propomos o desenvolvimento de uma metodologia de planejamento de ações socioeducativas.
No eixo temático sobre o trabalho, iremos desenvolver um exercício de planejamento,
programação e controle das ações socioeducativas, por compreender que esses
procedimentos são necessários a qualquer ação humana, principalmente no que se refere às
atividades laborais e produtivas.

Sobre o PPCP: embora tenha origem na engenharia, o PPCP – planejamento, programação
e controle da produção – é uma metodologia de grande valia para desenvolvimento de ações
nas mais diversas organizações e setores sociais, inclusive nas ações socioeducativas. O que
pode existir de comum entre o trabalho de um professor e de um feirante? E entre os
trabalhos desses dois profissionais e o do empregado doméstico? E entre o trabalho desses
três profissionais e o do médico? Com certeza realizam trabalhos de natureza e finalidade
bastante distinta. Mas têm em comum o fato de que sempre existe a necessidade de organizar

o trabalho. Em qualquer atividade de trabalho é necessário que se conheçam as tarefas, dividilas com outras pessoas, definir relações de trabalho etc. É preciso também organizar a
produção: conhecer os fluxos de atividades, planejar, programar, controlar o processo de
produção de bens e serviços.
Por que planejar, programar e controlar? Tanto na produção de um carro (um produto),
como no corte de cabelo num salão de cabeleireiro (um serviço), planejar, programar e
controlar sempre se fazem necessários. O planejamento, a programação e o controle devem


garantir que a produção ou o serviço aconteça com bom aproveitamento dos recursos e atinja
os resultados desejados.

Assim quando propusemos, por exemplo, nos últimos encontros do Percurso
Socioeducativo II, que os jovens criassem uma história coletiva e a traduzissem numa
montagem teatral, objetivávamos exercitar, mesmo que sem aprofundar, os elementos
constitutivos de uma atividade de planejamento. Nas quatro etapas daquela atividade,
prevíamos ações de concepção, planejamento, programação e controle da cena teatral
produzida pelos grupos de jovens (ver a orientação das Atividades 5 e 6 do Percurso II).

O desafio agora é fazer com que os jovens se preparem para o próximo Ciclo, cuja ênfase
será nas ações socioeducativas no território de moradia, com vistas ao exercício da cidadania
ativa, à participação e ao protagonismo juvenil, tendo como elemento central a concepção do
planejamento do PPCP.


ATIVIDADE 2 – Preparando o Planejamento
Etapa 1: Por quê e para quê planejar?

Iniciar um debate com a turma referente à noção de planejamento. Pergunte aos jovens:
Como vocês chegaram aqui hoje? E ao Projovem Adolescente? Alguns de vocês têm filhos? Ter
filho(s) foi uma escolha? Por que vocês se tornaram mãe/pai precocemente? Diante do fato de
uma gravidez, como se organizaram para a chegada da criança? Existe uma rotina, coisas que
vocês realizam cotidianamente. Como organizam o tempo na realização das tarefas diárias?

Essas e outras questões devem conduzir o Coletivo a perceber que não há ação humana
sem um planejamento anterior. Um pensador que viveu no século XIX5 dizia que o quê
diferenciava a espécie humana de qualquer outra é a capacidade de projetar, planejar suas
ações. Ilustrava essa ideia afirmando que o pior dos arquitetos se diferenciava das abelhas à
medida que essas construíam a colméia por instinto, enquanto o arquiteto elaborava
previamente um plano. Ou seja: planejava a ação antes de sua execução.

Etapa 2: Fazendo um projeto

Texto de apoio: consultar a página da Equipe da Casa da Juventude Pe. Burnier, CAJU, Goiânia,
GO. Subsídio de Apoio da Escola de Educadores de Adolescentes e Jovens. Acessível no site:
http://www.casadajuventude.org.br/.

Karl Marx


Apresente ao Coletivo de jovens as três frases a seguir e pergunte se concordam com tais
afirmativas.


“Qualquer atividade de nossa vida pessoal, profissional, religiosa e política, para
ser consciente, precisa ser preparada, planejada e pensada.”

“Quem pensa sobre o que faz, faz melhor.”

“Quem não sabe para onde vai, não chega. Quem não sabe onde está, não acha
caminho.”
Em seguida apresente as sete perguntas básicas para o desenvolvimento de uma ação
planejada:

I. O que fazer? Para resolver um problema geralmente são necessárias várias ações,
atitudes, gestos, reuniões, estudos etc. O importante é buscar uma solução criativa.
II. Como fazer? Não basta apontar o que fazer, é necessário levantar também como
será feito.
III. Quando? Já apontamos respostas para solucionar o problema, trata-se agora de ver
a melhor época para realizar uma delas. Um estudo, por exemplo, pode durar um dia
todo, uma tarde, podendo também acontecer durante uma ou mais semanas.
IV. Com quem? É momento agora de pensar quem será envolvido: os participantes
que vão receber a proposta, quem serão os responsáveis de executá-la, com quem
fazer parceria e a divisão de tarefas.
V. Onde será feito? É hora de prever. Isso ajuda a não acumular atividades para o
mesmo local, ajuda ainda a diversificar e descobrir novos espaços.
VI. Para quê? Colocar no papel o resultado que esperamos, ajuda a olhar para o
problema e dizer o que queremos solucionar/resolver.
VII. Recursos necessários: Possibilita perceber o que é necessário para realizar com
sucesso o que foi proposto: verba, material, equipamentos...
Uma alternativa ao desenvolvimento desses conteúdos é convidar os jovens a assistirem e
debaterem o filme “Saneamento Básico: o filme”, obra do Cineasta Jorge Furtado. É um filme
divertido, de linguagem fácil e atraente para os jovens, por outro lado vai ao encontro dos
objetivos propostos neste Percurso IV, na medida em que apresenta formas de planejamento
e organização coletivas como meio de transformar uma realidade aparentemente imutável.
“Se é para fazer melhor fazer bem feito”, essa é uma frase da chamada do filme, bem ajustada


à ideia que queremos passar sobre a importância do planejamento. Perceber o problema,
elaborar ações e transformar a realidade é o desafio apresentado pelo filme e colocado para o
Coletivo de jovens.

Dica

Vale lembrar, caro orientador, leia a sinopse e veja o filme antes da exibição para os jovens,
procure explorar ao máximo os aspectos relativos ao tema tratado.

Sinopse do filme:

“A comunidade da Linha Cristal, uma pequena vila de descendentes de colonos
italianos na serra gaúcha, reúne-se para tomar providências sobre a construção de
uma fossa para o tratamento do esgoto. Uma comissão é escolhida para pleitear a
obra junto à subprefeitura. Após ouvir a reivindicação, a secretária da prefeitura
reconhece a legitimidade da solicitação, mas afirma que não dispõe de verbas para
obras de saneamento básico até o final do ano. No entanto, a prefeitura tem quase
dez mil em verbas para a produção de um vídeo. A verba veio do governo federal e, se
não for gasta, terá que ser devolvida. A comunidade decide então fazer um vídeo
sobre a obra. A prefeitura apoia a ideia da realização do vídeo e da utilização da verba
para a obra, que seria um absurdo devolver, mas esclarece que, para requerer a verba,
a comunidade deve apresentar um roteiro e um projeto do vídeo, e que a verba era
necessariamente para obras de ficção. Os moradores da Linha Cristal passam então a
fazer um vídeo de ficção que, segundo interpretações, é um filme de monstro,
ambientado nas obras de construção de uma fossa, com o único objetivo de usar a
verba para as obras. O que eles não esperavam é que a produção do vídeo fosse se
tornando cada vez mais complexa e interessante.”

No Percurso III, os jovens puderam conhecer mais de perto o território, aproximando-se de
procedimentos de pesquisa, mapeando o território. Convidamos agora o Coletivo a ir além das
constatações proporcionadas pelo processo da pesquisa no território. Ao propormos a
atividade de pesquisa, perseguimos a possibilidade de esses jovens pensarem, posteriormente,
um plano de ações socioeducativas com possibilidade de interferência na comunidade – ação-
reflexão-ação.


ATIVIDADE 3 – Definindo a ação
Etapa 1: Localizando problemas

Orientador Social, levante com o grupo, os problemas/desafios encontrados no
território/comunidade, especialmente durante o Percurso III. Faça uma listagem e solicite ao
Coletivo que enumere esses problemas/desafios conforme alguns critérios, que podem ser: o
que mais nos aflige? O que queremos mudar? O que podemos fazer para mudar?


Realize, com os jovens, um processo de escolha de problemas/desafios para posterior
exercício do planejamento da ação socioeducativa. É um bom momento para que os jovens
exercitem suas capacidades de argumentação, de análise e de síntese.

Você, Orientador, pode mediar um debate observando os seguintes passos: agrupe os
jovens conforme as escolhas do problema/desafio e peça-lhes que construam argumentos
para a defesa da escolha (chamar atenção para os critérios). Cada grupo deve elaborar, por
escrito, sua argumentação e destacar uma pessoa para apresentá-la ao Coletivo.

Etapa 2: Discutindo os problemas/desafios

Organize uma exposição dos grupos (em torno de 5 minutos para cada apresentação).

Promova um debate entre os grupos. Lembre-se, Orientador, você faz a mediação e deve,
portanto, combinar o tempo e a quantidade de intervenções previamente. A ideia é que o
Coletivo discuta os problemas como um todo até chegar a um consenso.

Etapa 3: elegendo o(s) problema(s)/desafio(s)

Após o debate desenvolva um sistema de eleição do problema/desafio a ser planejado
pelo Coletivo. É possível que seja escolhido mais de um problema com o interesse de
ação/intervenção dos jovens. Entretanto não é aconselhável que o Coletivo se divida no
planejamento de muitas ações. Esse fato pode gerar dispersão de energia e desarticulação do
trabalho no interior do Coletivo. O ideal é concentrar mentes e braços em um ou dois focos de
ação socioeducativa. Importante: este é ainda um exercício do uso de metodologia de
planejamento. No Ciclo II, os jovens deverão desenvolver outras atividades com esse objetivo.


ATIVIDADE 4 – Pré-desenhando Planos de Ação: exercícios
De acordo com o resultado das escolhas dos jovens sobre os problemas/desafios a serem
planejados, organize-os para desenharem um ou mais planos de ação socioeducativa. Para
tanto sugerimos a matriz a seguir:

Problema Causas Ações Responsável Prazos Recursos


Observe com os jovens que todo e qualquer planejamento*6 é sempre uma ação
incompleta. Isto é uma característica, não um defeito. Quando planejamos, passado um
tempo, faz-se necessário replanejar e, por conta disso, se diz: “Para que então planejar?” Sem
planejamento, só reagimos às incertezas. Com o planejamento, nos preparamos melhor para
enfrentar atividades desconhecidas e de difícil domínio.

Um outro conceito importante, que está sempre ligado ao planejamento, é o de
programação*. A programação trata da distribuição dos recursos – disponíveis e limitados –
num dado intervalo de tempo.

Para completar, outro conceito importante é o de controle*. O controle é fundamental
para a programação e o planejamento se aproximarem do desejado. O controle trata da ação
necessária para reduzir a diferença entre o que se quer e o que de fato acontece.

Atenção!

Planejar não é um exercício fácil. Apesar de o planejamento fazer parte do dia a dia não se está tão
acostumado a fazê-lo da forma mais sistemática como estamos propondo. Estimule os jovens nesse
processo. Um dos grandes nós de todo e qualquer planejamento é a própria definição clara do problema a
ser atacado. É fundamental explicar bem o problema e perceber se o que estamos afirmando ser o
problema, na verdade não é uma consequência de um problema anterior.

Por fim, discuta com o Coletivo as possibilidades de viabilizar as ações socioeducativas
propostas. Mãos à obra!

2 – Trabalho e Comunicação

O objetivo deste tópico é o de desenvolver a compreensão da comunicação como um elemento
importante e constitutivo das atividades humanas e de trabalho, estando integrada, portando,
à FTG, através da ampliação das competências comunicativas (múltiplas linguagens) e das
capacidades transversais (cognitivas, afetivas, estéticas) envolvidas na realização das
atividades produtivas, sociais e culturais.

Caro Orientador, o Coletivo planejou uma possível ação futura, fez o esforço de conhecer o
problema e suas causas. Sugerimos para a continuidade desse processo uma atividade de
comunicação em que o Coletivo faça o registro (na linguagem dos jovens) das informações e
descobertas que acumularam sobre o bairro e o território.

A ideia é a criação de um jornal, um boletim ou um informativo com elementos que
digam respeito ao mundo deles, abordando vários aspectos: direitos, espaços e equipamentos
públicos, lazer, cultura, meio ambiente, trabalho e geração de renda...

6 Como nos percursos anteriores, sempre que aparecer este sinal (*) junto às palavras significa que elas
serão explicadas no glossário.



ATIVIDADE 5 – Comunicando e socializando a produção
Estimule os jovens a produzirem charges, ilustrações, desenhos, textos criativos como:
crônicas, poesias, entre outros gêneros e tipos que os jovens escolherem.

Você deve levar para o ambiente da atividade uma série de matérias (jornais, histórias em
quadrinhos, folhetos informativos sobre diversos temas – saúde, esporte e lazer, trabalho,
cidadania, cultura, meio ambiente e demais assuntos que sejam do interesse do Coletivo) para
motivar os jovens a embarcarem nessa viagem.

Estimule-os também a socializar a produção nos diferentes espaços de sua convivência na
comunidade, como, por exemplo, na igreja, clube, escola, campinho de futebol, posto de
saúde, entre outros.

O formato do veículo de comunicação (jornal mural; fanzine – em folha A4 -, revista em
quadrinhos, folders, por exemplo), a pauta dos assuntos, a divisão das tarefas, os tipos de
“notícias” (reportagem, entrevista, crônica, notícia, poesia, charge, entre outros), devem ser
decididos pelos grupos ou pelo Coletivo.

Também, pode ser que o Coletivo seja divido em grupos e cada um se dedique a um
assunto: cultura, esporte e lazer; meio ambiente; saúde; cidadania; direitos humanos e
socioassistenciais; educação (escolaridade e formação em geral); trabalho (formações e
oportunidades).

A produção de um meio de comunicação coletivo e comunitário pressupõe organização,
planejamento, programação para cumprir as tarefas com prazos, recursos necessários e
controle da produção para otimizar as várias equipes a alcançarem a meta de um produto
único.

Assim os jovens devem se organizar em grupo para decidir que tipo de jornal produzirão;
sua pauta; quantas páginas ou painéis; se haverá ou não ilustrações; se serão necessárias
pesquisas etc.; deverão resgatar todos os registros das atividades realizadas nos três
percursos anteriores; planejar e dividir as tarefas; programar os prazos e os recursos; definir
prazo para um acompanhamento e controle da produção e para os ajustes e replanejamento
necessários.

Ainda nessa etapa, é necessário que sejam definidos os objetivos do veículo de
comunicação, um título provisório, um cronograma provisório, um esquema de distribuição e
divulgação. O conjunto das ações exige uma consequente divisão de tarefas.


PontoCom@

Fanzine: publicação impressa alternativa, geralmente dedicada a assuntos musicais
(especialmente no âmbito do rock) e a outras manifestações culturais. Expressão derivada de
fan (fã) e magazine. Nascidos com o movimento punk inglês, entre 1975 e 1976, os fanzines
são descendentes das publicações underground dos anos 60. Podem ser produzidos de forma
rudimentar, como uma simples folha datilografada ou desenhada e escrita à mão, fotocopiada
ou mimeografada, ou podem ser impressos na forma de jornal ou revista. Caracterizam-se,
além do tema, pela linguagem (textual e gráfica) que não obedece aos padrões convencionais.
São geralmente distribuídos de maneira informal, vendidos pelos seus próprios produtores e a
preços baixos, nos pontos frequentados pelo público que se identifica com sua linha editorial.

Pauta: planejamento esquematizado dos assuntos a serem tratados num jornal, com um
resumo dos assuntos e a indicação ou sugestão de como o tema deve ser tratado. A pauta não
é normativa, não estipula uma linha de ação a ser obrigatoriamente seguida: é uma tentativa
de orientar o trabalho do redator, dentro dos parâmetros que possam ser previstos. Caso
ocorra algum detalhe importante como notícia e não previsto na pauta, este não impede,
obviamente, que o planejamento seja revisto. Podem estar contidos na pauta, além do resumo
do assunto, o tratamento que deve ser dado ao tema, uma sugestão de perguntas para o
entrevistado, nomes, endereços e telefones de possíveis informantes.

Título: pequeno texto (palavra ou frase), que indica resumidamente o assunto da matéria e
chama a atenção do leitor para determinado livro, filme, jornal, revista, anúncio publicitário,
peça teatral, programa de rádio ou TV, qualquer texto literário, científico, poema, música,
desenho, entre outros.

Manchete: título principal geralmente situado com destaque no texto. Indica o fato jornalístico
de maior importância entre todas as notícias.

Não basta redigir, escrever: é preciso comunicar. É preciso que os jovens assumam o seu
lado de comunicadores. O processo de comunicação pressupõe, no mínimo, seis elementos:
um emissor, que quer ou deve enviar uma mensagem a um receptor, que está ou deverá ficar
interessado na mensagem. Esta, por sua vez, parte de um dado de realidade (acontecimento)
e será transmitida através de um canal e em um código conhecido por ambos, receptor e
emissor.

O ponto de partida para o sucesso na comunicação é a caracterização do receptor. Os
autores das mensagens devem ser os primeiros e os mais interessados em que o seu
leitor/receptor se prenda à leitura do texto. Dos autores depende que o leitor possa entender
e absorver as mensagens a serem veiculadas. Assim, oriente os jovens a fazerem de início esta
pergunta: vale a pena ler esse texto?

Então, o primeiro passo a ser dado para se chegar à comunicação bem-sucedida é a
caracterização do receptor.


Outras perguntas orientadoras para a elaboração dos textos: O que o receptor precisa
saber sobre isso? Para que o receptor precisa dessas informações? Que tipo de conhecimento

o receptor já tem a respeito do assunto, da situação? Por que é importante para o meu
receptor informar sobre esses assuntos? Que tipos de respostas espero do meu receptor às
mensagens?
Mãos à obra!

Quanto aos textos escritos é sempre bom revisá-los e verificar se eles apresentam
coerência, princípio meio e fim. Se as palavras usadas estão expressando o que se pretende, se
é possível ajustar uma linguagem muito coloquial, quando não tiver sido proposital o seu uso,
para uma linguagem mais formal.

Dica

Antes de considerar o texto pronto, sugira que uns leiam os textos dos outros para a
apreciação e contribuições. Afinal, a comunicação, como o trabalho, e por isso também a
comunicação no trabalho e de trabalho, são necessidades básicas de todos nós para a nossa
sobrevivência, nossa convivência social e na criação da cultura e do mundo. Sucesso!

Orientador,
reflita com os jovens de que maneira a atividade 3 (“Definindo ações”) contribui para:
a) identificar problemas/desafios existentes no território que se relacionam com os demais


temas transversais trabalhados?
b) caracterizar questões/desafios que efetivamente mobilizam os jovens e podem ser
escolhidos para desenvolvimento em profundidade nas ações socioeducativas no Ciclo II?


POP – Projeto de Orientação Profissional:

Ficha 4 – Meu plano de ação pessoal e de participação social

Esta ficha 4 do POP deve ser preenchida de forma mais livre pelos jovens. É o
momento em que terão oportunidade de projetar, de maneira individual, um plano de ação
para o seu próprio desenvolvimento pessoal nas várias esferas de sua vida – continuidade de
sua escolaridade formal; perspectivas de formação para inserção no mundo do trabalho,
participação em redes e grupos juvenis; integração em grupos de atividades culturais,
esportivas e de lazer; participação em grupos de atuação no meio ambiente, nas questões de


cidadania ou de outras áreas sociais. É também o instrumento em que ele registrará um
primeiro plano de atuação no território a ser desenvolvida e amadurecida no Ciclo II do Serviço
Socioeducativo.

Trata-se, neste momento, de o jovem registrar e sistematizar os seus projetos, como
resultado do processo formativo que vivenciou no Serviço Socioeducativo ao longo do Ciclo I.
Como vemos neste Percurso IV, o Planejamento é um momento inicial de projeção de ações a
serem desenvolvidas para alcançarmos um determinado fim. No entanto, aprendemos
também que, como ponto de partida, o planejamento para a sua realização sempre requer
replanejamentos, decorrentes das situações concretas. Também requer programação das
ações a fim de que sejam sempre garantidos os objetivos últimos pretendidos, ainda que haja
alterações no planejamento inicial e que se façam necessários ajustes diante de dados e
circunstâncias novos.

Assim, você Orientador, deve montar com os jovens os itens que figurarão nesta Ficha
4, de modo a que eles sejam os efetivos sujeitos dos seus Planos Individuais e Coletivos de
Ação.

Ficha 4-A

Meu Plano de Ação Pessoal para o Ciclo II

........................................................................................................................................
.


Verso da Ficha 4-B

Meu Plano de Atuação Social Coletiva para o Ciclo II

GLOSSÁRIO

Controle e resolução dos problemas

O controle reduz a diferença entre o que se quer e o que de fato acontece. As operações de
controle reduzem os imprevistos, e os resultados alcançados são mais confiáveis. Utilizamos
mecanismos ou dispositivos de controle em inúmeras situações do cotidiano.

Planejamento

É uma ação no presente voltada para o futuro. É preciso planejar porque o futuro é cheio de
incertezas. Com o planejamento, podemos evitar alguns problemas ou diminuir consequências
indesejadas. Mas é bom saber que o planejamento, embora necessário, é sempre incompleto.
Alguém que saiba exatamente tudo o que vai ocorrer, como e quando cada coisa vai
acontecer, não precisa planejar, é só programar. O planejamento é um trabalho de preparação
para qualquer empreendimento, segundo roteiro e métodos determinados, é planificação.


Programação

A programação trata da distribuição, num dado intervalo de tempo, dos recursos disponíveis.
Cálculo do tempo para todas as atividades (desde o deslocamento até a previsão de fatores
externos). Planejamento e Programação precisam do controle.

4.2. JUVENTUDE DIREITOS HUMANOS E SOCIOASSISTENCIAIS
1 – Democracia e participação juvenil


O objetivo deste tópico é promover com os jovens uma reflexão sobre a democracia, o sistema
político, os espaços de participação juvenis e as possibilidades de atuação que oferecem.

No decorrer dos encontros nos percursos socioeducativos anteriores, o Orientador

deve ter tido a oportunidade de interagir e conversar com os jovens7 sobre os mais diversos

temas ligados à cidadania e aos direitos. Neste último percurso socioeducativo do Ciclo I, é
interessante que os jovens voltem suas atenções mais propriamente para as suas
possibilidades de atuação na sociedade.

Dentre as várias coisas que definem o que é uma democracia dois princípios são
fundamentais8. O primeiro é o controle popular sobre a tomada de decisões coletivas. Ou seja:
devemos escolher nossos representantes, participar em estruturas da sociedade civil e do
governo, propor temas e ações e acompanhar a atuação dos órgãos existentes, sugerindo
melhoras e denunciando irregularidades e abusos. O segundo princípio é a igualdade entre os
cidadãos no exercício deste controle. Isto implica que o voto de todo mundo deve valer a
mesma coisa, todos que quiserem podem fazer suas sugestões e denúncias e todas elas serão
tratadas da mesma forma, todos podem participar nos mesmos espaços, e assim por diante.
Alguns arranjos institucionais são importantes para assegurar a democracia, entre eles
destacam-se: a existência de mais de um partido político, a disputa eleitoral, a independência
do judiciário e a separação dos poderes (executivo, legislativo e judiciário), a imprensa
independente e os canais de participação social.

É lógico que só vamos exercer nosso direito de participação política e opinar nos
assuntos públicos se tivermos a certeza de que não sofreremos retaliações por isso. E aí é que
entra novamente a importância das liberdades de expressão, associação, reunião, locomoção e
a garantia da justiça – só para reforçar que todos os direitos estão relacionados. O importante

7

Lembramos que para garantir a fluidez textual será utilizada a norma gramatical que reúne no formato
masculino os homens e as mulheres.

8

Beetham, D. (2003) Democracia e direitos humanos: direitos civis, políticos, econômicos, sociais e
culturais. In.: J. Symonides (Org.), Direitos Humanos, novas dimensões e desafios. Brasília: UNESCO
(p.107-137 ).


é lembrar que a cidadania é construída, ou seja, não basta estar na lei, deve ser exercitada
pelos cidadãos e colocada em prática pelos governos. Vários dos nossos direitos foram
conquistados com muito esforço e temos o dever de preservá-los.

Espaços de participação dos jovens

Quais são as instâncias de participação do jovem? Sugerimos em primeiro lugar, que os
jovens pesquisem o que existe na sua comunidade, no seu território em termos de
agrupamentos e iniciativas juvenis. Não precisam ser necessariamente ligados aos direitos, é
bom ter uma ideia dos espaços já ocupados pelos jovens. Talvez existam grupos, jovens de
igreja, de música, dança, pintura, teatro. Talvez existam associações estudantis, grupos
solidários, e times de esportes, por exemplo. É importante saber como os jovens se organizam
em torno de seus interesses e como se inserem na vida social.

Existe uma infinidade de possibilidades de inserção social dos jovens, individualmente
e em grupo. São maneiras e focos diversos de participação na vida em comunidade. Uma
iniciativa pode ser mais lúdica ou mais séria, mais elaborada ou mais simples, com um foco
mais político, ou recreativo, ou assistencial, por exemplo. É uma combinação de
características, construídas a cada situação. Algumas iniciativas estão mais voltadas para a
ampliação e enriquecimento da rede de relacionamentos sociais e trocas que os jovens
realizam de forma mais autônoma – mostrando seus jeitos próprios, linguagens, música etc.
Ou também iniciativas que constroem as relações com as instituições (como a família, a escola
e a sociedade), em que os jovens expressam suas ideias e pontos de vista sobre a realidade ao
redor. Estas relações permitem valorizar os jovens como sujeitos sociais que têm voz e
presença na vida de sua comunidade, de seu território de moradia e de sua cidade. Já outras
iniciativas se voltam mais intencionalmente para as questões da participação política. São
iniciativas que se constroem em torno da reivindicação de direitos, do monitoramento e
controle das políticas públicas e que se constituem a partir de processos organizativos do
grupo e da mobilização social.

Iniciativas mais voltadas para o fortalecimento da rede social dos jovens seriam, por
exemplo, organizar saraus 9 e apresentações de bandas, fazer exposições de desenhos e
pinturas, montar oficinas e exposições de artesanato, promover concursos de poesia e contos,
participar de rádios comunitárias e rádios escolares, montar oficinas de conserto de
brinquedos e montar concursos de soletrar ou de tabuada.

9 Pequenas reuniões para apresentação de músicas, poesias e discussão de literatura ou outras artes.


Exemplos de ações que são mais voltadas para a construção da participação cidadã
seriam: desenvolver jornaizinhos de comunidade ou da escola; montar peças de teatro que
informem a população sobre algum tema importante ou polêmico (racismo, direito dos idosos,
doenças sexualmente transmissíveis, história da cultura indígena, porte de armas, redução da
maioridade penal, discriminação de mulheres – o que quiserem); formar grêmios
(organizações que representam os interesses dos estudantes nas escolas e são previstas na Lei
nº 7.398); promover palestras e debates sobre temas interessantes; montar uma semana
especial de férias com campeonatos de esportes e gincanas para as crianças da comunidade,
contribuir à conscientização de outros jovens sobre a importância de ter seu título de eleitor;
ajudar a arrecadar livros para montar bibliotecas; promover manifestações pacíficas, montar
campanhas a favor da paz; organizar passeios a museus; visitas a prefeituras, órgãos públicos,
universidades, escolas, empresas, organizações não governamentais, fundações empresariais,
movimentos sociais, sindicatos, conselhos de defesa de direitos, de defesa do meio ambiente
ou de controle de orçamentos públicos; ou participar de fóruns de debates de questões
públicas; escrever cartas e manifestações para deputados e senadores; montar uma exposição
das diferentes religiões; promover campanhas de conscientização no trânsito; promover a
cultura local, por exemplo a partir de um festival de culinária típica, e outros exemplos. O nível
de complexidade de cada uma destas ações e da necessidade de ajuda de adultos e
organizações já instituídas para realizá-las, varia bastante. Esta é só uma amostra.

Uma das grandes questões na qual o jovem pode atuar é no incentivo de uma cultura
de paz a partir das suas interações na família, na escola e na comunidade. Todas as atividades
sugeridas acima podem ser vistas dentro desta perspectiva da promoção de uma convivência
pacífica entre as pessoas.

O jovem precisa ser visto como fonte de iniciativa e responsabilidade. A ele deve ser
dada a opção livre de se envolver ou não e a chance de participar no planejamento, na
execução e na avaliação das ações e se apropriar dos resultados. O caminho para a
participação cidadã dos jovens é propiciar que eles mesmos construam seus conhecimentos e
habilidades, percebam seu potencial e sintam-se desafiados a contribuir para transformar a
realidade.


ATIVIDADE 1

Sugerimos como atividade deste tópico que o grupo monte um livrete10 ou folheto que
possa servir como uma espécie de catálogo de ideias que incentive os jovens a ter uma
atuação no território. O processo de montagem deste livrete é parecido com a montagem, por
exemplo, de um cardápio ou menu de restaurante. A primeira folha é de boas vindas, ela
apresentaria os princípios que os jovens consideram mais importantes e o território em que
estão – poucas palavras sobre a cidade ou a zona rural: qual é o tamanho do lugar, quanta
gente mora lá, quando as pessoas começaram a chegar, se tem algum rio ou mata importante,
enfim, informações gerais. Depois viriam os tira-gostos ou entradas, aquelas comidinhas que
servem pra matar a fome antes da refeição principal. No nosso caso poderiam ser, por
exemplo, a listagem de possibilidades de ações de sensibilização da população do bairro
(campanhas, divulgações disso ou daquilo, palestras etc.). Depois como em um cardápio que
traz os pratos principais divididos entre carne, peixe e massas, poderiam ser feitas subdivisões
dos grandes temas: direitos sociais, direitos civis e políticos, crianças e adolescentes, rede de
proteção de direitos etc. Em cada uma das subdivisões seriam listadas as atividades de
protagonismo possíveis (montagem de peças de teatro, exposições, visitas etc. – vejam
sugestões acima). Por fim, onde seriam os doces ou sobremesas poderiam ser apresentadas as
atividades de protagonismo com forte componente lúdico – as gincanas, campeonatos,
oficinas etc.

A depender do nível de organização, mais ou menos informações podem ser
apresentadas. Por exemplo: em vez de preços das comidas pode ser escrito o que seria
necessário para concretizar a atividade (equipamento esportivo, palco, papel, acesso a
computador etc.). Assim como um cardápio mostra as comidas que o restaurante oferece,
nosso cardápio mostraria as ações que os jovens podem tentar realizar no território.

Se a experiência de frequentar um restaurante for muito distante da experiência dos
jovens deste grupo uma série de adequações e variações são possíveis. Outras comparações
podem servir de exemplo. Uma alternativa seria pensar neste processo de organizar ações de
protagonismo como, por exemplo, a montagem de uma grande festa na comunidade, em que
teríamos que pensar no convite, nos preparativos, nas danças, nas comidas e brincadeiras.

Orientador,
independente da forma do produto final desenvolvido pelos jovens, o importante é que, de
maneira lúdica, levantem-se opções e se viabilize uma certa organização às possibilidades de
protagonismo juvenil deste grupo de jovens, em seu território.


10 Livrete: pequeno livro.


Quais são as oportunidades de participação juvenil que os jovens identificam no território em
que vivem e que despertam o interesse do Coletivo?

4.3. JUVENTUDE E MEIO AMBIENTE
1. Meio Ambiente é política?
O objetivo deste tópico é discutir a relevância das políticas nacionais e dos tratados ambientais
mundiais como instrumentos essenciais de proteção ambiental. Pretende-se situar o processo
de proteção ambiental num contexto de conflitos e de disputas, e não de harmonia. Busca
ainda mostrar que os bastidores da área ambiental são de muito trabalho, conflitos e
militâncias cidadã e política.

Vimos anteriormente que o Brasil é um dos países que possui leis ambientais bastante
rígidas e bem fundamentadas. Elas foram pensadas para assegurar a proteção de nossas
riquezas naturais. Entretanto, vimos que são muitas as dificuldades para tirar a lei do papel,
tornando-a realidade. Mas como estas leis são criadas? Quem as cria?

Num primeiro momento podemos pensar na figura dos políticos como sendo os
responsáveis pela formulação das leis. Mas será que eles as criam sozinhos?

O termo genérico “políticos” precisa ser discutido, pois há níveis diferenciados de
responsabilidades. Vale lembrar que nosso país é organizado em três poderes – o legislativo, o
judiciário e o executivo. O primeiro é composto de vereadores, deputados estaduais e federais,
e senadores, é o responsável por formular as leis. O segundo é composto por juízes,
desembargadores e ministros dos tribunais superiores e é o responsável por fiscalizar o
cumprimento das leis. Já ao executivo, composto por prefeitos, governadores, secretários,
ministros, presidente etc., é responsável pela execução das leis, ou seja, tirá-las do papel e
torná-las realidade.

Olhando novamente para estes agentes, é possível perceber que a criação de leis é
responsabilidade do legislativo. Mas eles as fazem sozinhos? São eles os únicos a criar leis?
Felizmente não, pois qualquer cidadão, grupo ou entidade pode sugerir leis e participar da sua
elaboração, em conjunto com algum vereador, deputado ou senador. Para isso, todos podem
contar com a ajuda de especialistas que entendam do assunto em questão e que ajudem na
criação de uma lei que “pegue” pra valer. Mas a política não se resume à criação de leis! Ela vai
muito além! Envolve participação cidadã das pessoas, militância de movimentos sociais,
eleições, políticas públicas, investimentos sociais, ambientais, econômicos etc.


Infelizmente nós, brasileiros, somos ainda pouco interessados em política e isto nos
distancia do seu real significado e interferência. Podemos não gostar de política e achar que
ela se resume às eleições de quatro em quatro anos, mas ela é maior do que isso e interfere
diretamente em nossas vidas. Uma medida econômica pode gerar aumento de preços; um
corte de verbas pode gerar greve de professores, e assim por diante. São decisões tomadas no
espaço político, por representantes por nós eleitos em processos democráticos, que
interferem em nossa vida cotidiana.

E como a política interfere em todos os setores, não é diferente na área ambiental.
Muitas decisões políticas (seja do prefeito, do governador, do ministro ou do presidente)
podem resultar em consequências diretas no meio ambiente, independente de serem tomadas
pelos órgãos competentes pela pasta “meio ambiente” ou outra. Exemplo: se uma nova
estrada vai ser construída (responsabilidade da área dos transportes) ela vai afetar o meio
ambiente e o nosso cotidiano.

É importante ainda perceber que as decisões políticas são também influenciadas por
outros fatores, especialmente pelo econômico. Por exemplo: a ação de uma empresa pode ter
efeito devastador ao meio ambiente e ter a retaguarda do governo local, por meio de uma lei
que a favorece, ou de uma fiscalização menos rígida. Ou seja, a política é também um espaço
de defesa de interesses dos mais diversos setores sociais, e nem sempre, as decisões políticas
levam em consideração a população “como um todo”.

Dada a capacidade de a área ambiental estar presente em diversas outras áreas, ela é
considerada como sendo “transversal”, ou seja, se relaciona com os campos social, econômico,
cultural, de infraestrutura etc. Em função disto, considera-se que as políticas de meio
ambiente devem estar presentes em todas as áreas e não somente no órgão ambiental. Isto se
constitui num grande desafio atual, e ainda enfrenta muitos entraves para ser implementado.
Algumas experiências no país têm sido feitas, e têm trazido importantes resultados, mas
constituem-se apenas o início de lidar com o grande desafio.


ATIVIDADE 1: Como participar da proteção ambiental? Quais são as leis ambientais
do meu município?
O objetivo desta atividade é conhecer os espaços locais de participação do cidadão na
proteção do meio ambiente. Além disso, pretende levantar as principais leis de proteção
ambiental discutindo como elas têm sido aplicadas na prática e identificar situações de
conflitos ambientais no município.

Convide um vereador, um técnico da prefeitura ligado à área ambiental e um membro
de alguma ONG ou grupo ecológico local para promover um debate e apresentar aos jovens


um panorama das leis e dos espaços de participação no município, voltados à proteção do
meio ambiente. Apesar de menos de 10% dos municípios brasileiros terem um órgão
específico sobre meio ambiente, na maioria deles o tema é tratado em algum órgão. Além
disso, muitos municípios possuem Conselhos de Defesa do Meio Ambiente e promovem
Conferências Municipais de Meio Ambiente (e outros tem fóruns de debates e de participação)
para debater o tema e levantar propostas de ação. Muitas vezes a comunidade desconhece
estes espaços, e mesmo conhecendo-os acaba não participando deles.

Estes convidados podem também falar sobre conflitos ambientais existentes no
município ou região, como por exemplo: disputa pela posse de terras, retirada de pessoas para
construção de uma hidrelétrica, mobilização contra uma empresa poluidora etc. Se olharmos
bem, veremos que há muitos conflitos por conta de questões ambientais, e algum deles
podem ser realidade em nosso município.

O debate pode ser realizado com a presença de pelo menos uma destas três pessoas.
Pode também ter a participação de representantes de outras organizações. Divida o tempo da
atividade com uma palestra dos convidados seguida de perguntas e questionamentos feitos
pelos jovens. O foco da atividade não é criar polêmicas nem se constituir num “tiro ao alvo”
com acusações para os representantes dos órgãos locais. A ideia é apresentar o tema, mostrar

o “mapa da mina” aos jovens, despertando um gostinho de “quero mais”. Afinal, todos os
problemas de participação cidadã ligados ao meio ambiente não serão resolvidos nesta
atividade, não é?
Dica

Ao final da atividade, agradeça a participação dos convidados e verifique a possibilidade de a
turma realizar uma visita as suas organizações, para verem como elas funcionam na prática.
Quem sabe alguns não despertem interesse para o tema a partir desta atividade?

2. Já ouviu falar em Agenda 21?
O Objetivo deste tópico é apresentar a proposta da Agenda 21 – o que é, para que serve, como
funciona e como ela pode ser uma importante ferramenta do desenvolvimento sustentável
local. Pretende-se ainda incentivar os jovens a participarem da criação ou da implementação
de uma Agenda 21 no seu município.

Você já ouviu falar em Agenda 21? Este termo curioso significa muito e ao mesmo
tempo é algo simples de ser compreendido. É uma agenda onde se registram os compromissos
a serem cumpridos para reverter os processos de degradação ambiental ao longo do século 21.


Como a sua ideia surgiu durante a Eco-92, ela já nasceu projetando uma visão de futuro, no
caso voltada ao século 21.

A ideia básica da Agenda 21 remete a duas coisas complementares e importantes: uma
tem a ver com uma agenda de compromissos a serem assumidos para o enfrentamento dos
problemas socioambientais atuais, e a outra tem a ver com uma metodologia de planejamento
de ações que tornará possível enfrentar estes problemas.

Vamos entender melhor isso. A primeira questão diz respeito a um conjunto de
compromissos que diversos países e setores da sociedade devem assumir para enfrentarem os
problemas socioambientais atuais. Aqui já se percebe um princípio básico da Agenda 21, que é
a necessidade de envolvimento dos mais variados países e setores sociais nesta luta. Trata-se,
portanto, de dar um sentido coletivo às ações, envolvendo governos, empresas, sindicatos,
associações, ONGs, universidades, escolas, cidadãos etc. Entende-se que isoladamente cada
um destes terá muita dificuldade para enfrentar estes problemas, e, portanto, devem atuar de
forma articulada e coordenada.

A segunda questão – da metodologia de planejamento – tem a ver com a forma como
estas parcerias vão sendo construídas e como estes coletivos vão se organizando (em fóruns)
para irem estabelecendo, de forma conjunta e participativa um plano de ação. É neste plano
de ação, também conhecido como Plano Local de Desenvolvimento Sustentável, onde constam
questões como: que problemas precisam ser enfrentados; de que forma, quem faz o quê e
quando, formas de avaliação etc.

Na Conferência Eco-92 a proposta da Agenda 21 Global foi aprovada por 179 países,
que se comprometeram a construir as suas respectivas Agendas 21 Nacionais, e incentivar que
cada comunidade e setor elaborassem as suas Agendas 21 locais.

O Brasil vem fazendo a sua parte desde 1997, quando deu início à construção da
Agenda 21 Brasileira, envolvendo cerca de 40 mil pessoas e concluída, a construção, em 2002.
Esta construção foi coordenada por uma Comissão, a CPDS: Comissão de Políticas para o
Desenvolvimento Sustentável e Agenda 21 Brasileira, que é formada por representantes de
diversos setores da sociedade e do governo, sendo responsável por coordenar a
implementação da Agenda 21 Brasileira.

A partir de 2003, a Agenda 21 Brasileira entrou numa nova fase e passou a ser
implementada em todo o país, por meio do incentivo a municípios, setores e comunidades a
construírem as suas Agendas 21 Locais. Um banco, uma empresa, um bairro ou um município
podem elaborar sua própria Agenda 21, reunindo informações e pactuando ações para
enfrentarem problemas relacionados às questões ambiental, social e econômica.

Como vemos, o objetivo central da Agenda 21 é o de fazer as pessoas e os setores da


sociedade trabalharem de forma conjunta e participativa para traçarem caminhos que
conduzam a humanidade à sustentabilidade (local e global) em suas múltiplas dimensões. O
termo “sustentabilidade” dá margem a muitas interpretações e conflitos, portanto, é
importante qualificá-lo. Estamos falando de sustentabilidade social, ambiental, política, ética,
cultural e econômica – dimensões estas que trazem um conjunto de significados próprios.
Portanto, é óbvio que se trata de um trabalho complexo e de difícil realização, que exige muita
força de vontade e garra na sua construção. A Agenda 21 nos faz pensar e planejar como será
fazer a “nossa parte” para com o planeta (e o local onde vivemos), mas vai além. Ela nos
provoca a perceber que as responsabilidades são de todos, mas em diferentes níveis e pesos
para cada um dos habitantes do planeta (pessoas e setores). Portanto, ela nos convida a
conhecermos melhor nossa cidade, repensarmos nossas ações, mudarmos nossos
comportamentos por meio de um planejamento, no qual são definidos metas, responsáveis,
prazos, parceiros, recursos necessários a realização das metas, avaliação e monitoramento das
ações. Vamos refletir a respeito? Que tal começarmos a agir?

Muitos municípios brasileiros estão desenvolvendo a sua Agenda 21 Local, colocando
em prática esta metodologia e agindo para enfrentar seus problemas e transformar sua
realidade. E nosso município, como está? Possui um processo de Agenda 21? Vamos saber
mais?

· ATIVIDADE 2: Oficina de Futuro
Existem diversas maneiras de se elaborar uma Agenda 21 Local. O Ministério do Meio
Ambiente propõe seis passos:

1º Passo: mobilizar para sensibilizar Governo e Sociedade: por meio de oficinas,
seminários, divulgar para todos o que é Agenda 21 e sensibilizá-los para a necessidade de sua
construção;

2º Passo: criar o Fórum da Agenda 21 Local: o Fórum é o grupo de pessoas, da
sociedade e do governo local que juntas conduzirão o desenvolvimento da Agenda 21;

3º Passo: elaborar o Diagnóstico Participativo: neste passo, é feito um "retrato" da
realidade do município, com a participação de todos, para se conhecer melhor seus problemas
e suas potencialidades;

4º Passo: elaborar Plano Local de Desenvolvimento Sustentável: com base no
Diagnóstico, o Fórum junto com a população local, planeja ações para a sustentabilidade do
município, que conciliem a proteção ambiental, justiça social e o crescimento econômico. Este
plano deve conter as metas, os responsáveis, possíveis parcerias, prazos, recursos financeiros


para sua realização, bem como sua avaliação e monitoramento;

5º Passo: implementar o Plano Local de Desenvolvimento Sustentável: neste passo o
Plano é colocado em prática por todos que participaram de sua elaboração;

6º Passo: monitorar e Avaliar o Plano Local de Desenvolvimento Sustentável: a
realização do Plano deve sempre ser acompanhada por uma avaliação para ver os resultados e
permitir que reajustes, readequações sejam feitas ao longo de sua implementação.

Já para as escolas, o Ministério da Educação, em parceria com o Ministério do Meio
Ambiente, elaborou um material que orienta a elaboração da Agenda 21 na Escola. Neste
documento é proposta uma metodologia chamada de Oficina de Futuro, pois trata de um olhar
do presente para o futuro, onde o coletivo é responsável por conduzir esta atividade. Seja na
escola ou fora dela, esta metodologia pode ser aplicada e compreende três etapas: 1. Árvore
dos Sonhos; 2. Pedras no Caminho; 3. Plano de Ação. Na primeira, os jovens são estimulados a
pensar na comunidade dos seus sonhos (Qual é a comunidade dos nossos sonhos?). Devem
sonhar pra valer, e imaginar tudo de bom que gostariam de ver na sua comunidade, por mais
que possam parecer improváveis de acontecer. Estes sonhos devem ser escritos em papéis
(com letras grandes para todos lerem) e serem afixados num desenho de árvore que pode
estar no chão ou na parede, para comporem a Árvore dos Sonhos.

No passo seguinte – Pedras no Caminho – os jovens são convidados a identificar as
principais pedras que existem no caminho para que a comunidade alcance os sonhos
imaginados e afixados na Árvore. É o momento de mapear as principais dificuldades atuais que
a comunidade enfrenta. Todas elas devem ser também escritas em papéis e afixadas nas raízes
da Árvore dos Sonhos.

Finalmente o terceiro passo – Plano de Ação – diz respeito às ações que deverão ser
realizadas para enfrentar as dificuldades e alcançar os sonhos. Quanto maior o detalhamento
das ações, melhor será o Plano. Podem surgir ações do tipo “conscientizar a comunidade”,
merecendo um detalhamento maior: “conscientizar como?”, “quem da comunidade?”, e assim
por diante. Num Plano de Ação como este é importante constar: qual é a ação, de que forma
ela será realizada, quem é o responsável por ela, em que prazo ela será realizada. O Plano de
Ação pode ser feito num quadro, painel ou num grande pedaço de papel. A ideia é que todos o
enxerguem a certa distância, de modo a facilitar a participação coletiva, e que ele fique perto
da Árvore, afinal fazem parte da mesma atividade.

Uma dica importante é realizar um passo de cada vez: primeiro os sonhos, depois as
pedras e finalmente o plano de ação. Todas elas de forma coletiva envolvendo toda a turma. A


atividade exige ainda preparação prévia – separação dos materiais: papéis, pincéis atômicos,
canetas, fita crepe; e confecção da árvore.

Ao final da atividade, é importante dar uma repassada na árvore como um todo e
deixá-la fixada em algum lugar permanente para ser lembrada com frequência. Uma questão
crucial ao final é “como e quando vamos colocar em prática o Plano de Ação?” O plano de ação
pode ser transcrito e distribuído na comunidade, para sensibilizar e comprometer outras
pessoas. Se possível, faça uma breve avaliação desta atividade.

Dica

Embora esta metodologia tenha sido elaborada para a área ambiental, ela também pode ser
utilizada para qualquer outra área e tema de interesse dos jovens. Os passos são os mesmos, e
somente as perguntas necessitam ser adaptadas para o tema adotado.

Os métodos "Passo a passo da Agenda 21 local" e "Oficina de Futuro" são muito
parecidos e contém as bases fundamentais para um planejamento. Se queremos mudar para
um desenvolvimento que seja sustentável, que considere não só o meio ambiente, mas as
necessidades sociais e econômicas das pessoas temos que planejar muito bem quais são as
ações necessárias para que a sustentabilidade seja real em nosso município. E então,
queremos assumir este desafio?

Vá além! Saiba mais!

Conheça mais sobre Agenda 21 acessando:
www.mma.gov.br/agenda21
A Carta da Terra é um documento mundial que reúne uma série de
responsabilidades assumidas pelos povos do planeta com vistas à construção de
uma sociedade sustentável global baseada no respeito pela natureza, nos direitos
humanos universais, na justiça econômica e numa cultura da paz. O documento
completo pode ser acessado nas páginas abaixo, onde também é possível
encontrar uma versão em vídeo, que pode ser utilizada em atividades com os
jovens:

· www.mma.gov.br/agenda21
· www.mma.gov.br/estruturas/agenda21/_arquivos/carta_terra.d
oc
No site do Ministério do Meio Ambiente é possível ainda conhecer os municípios
que estão realizando as suas Agendas 21 Locais, por meio do “Sistema Agenda
21”. Será que o nosso município está nesta lista?

Considerações Finais



Ao longo dos onze tópicos que compõe os conteúdos do tema meio ambiente,
trabalhados no Ciclo I, procuramos apresentar uma visão, o mais panorâmica possível, do
tema, de forma crítica e provocativa. Se o tema meio ambiente é novo e suficientemente
aberto a inovações, criações, ousadia, ele também traz consigo, em sua breve história,
acúmulos e conquistas de lutas pela proteção ambiental.

É importante frisar que a discussão e o entendimento sobre o tema vão muito além do
exposto no texto. Há muitos outros tópicos possíveis, outras abordagens e formas de encarar
os assuntos aqui apresentados. Considere tudo isto como um pontapé inicial e um convite a
uma reflexão que pode ser bem mais profunda e, para isto, seu papel como Orientador Social
é fundamental.

Se os jovens de hoje já nascem num mundo mais ecológico do que no passado, eles
precisam saber identificar o que realmente significa este termo “ecológico”, pois em muitos
casos ele se apresenta apenas como uma nova roupagem numa prática tradicional e arcaica.

Portanto, muita atenção para discutir o tema. Ser um cidadão “ecologicamente
correto” não significa consumir somente produtos “verdes”, mas passa por uma intensa
reflexão individual e coletiva acerca dos nossos valores e de nossas atitudes perante a vida, a
sociedade e o mundo. O “fazer a sua parte” não consegue mais responder aos crescentes e
graves problemas ambientais mundiais. É preciso ir além!

Por isso fica aqui o convite para incentivar os jovens a se engajarem na luta pela
proteção ambiental, não apenas como pessoas que “jogam o lixo no lixo”, mas, sobretudo,
como cidadãos e sujeitos ecológicos. Ou seja, pessoas que conseguem enxergar as entrelinhas
dos acontecimentos, perceber as responsabilidades de cada um, cobrar os responsáveis por
ações, repensar valores e atitudes, e colocar as mãos na massa e fazer. Afinal há muito por
fazer e poucos para fazer.

Para isto, é importante nos unirmos a quem já está nesta trilha. Por que não somar
esforços a outros grupos, coletivos e pessoas já engajadas na luta pela proteção ambiental?
Somando esforços podemos ir mais longe, e transformar o rumo atual de degradação
ambiental do planeta. Afinal, Paulo Freire, um grande educador, já dizia que “mudar é difícil,
mas é possível”.

Por fim, vale ainda ressaltar que a área ambiental vem cada vez mais gerando
oportunidades de trabalho e de geração de renda. Já há muitas pessoas no Brasil vivendo a
partir da proteção do meio ambiente e muitas outras poderão seguir este caminho. Mas este
assunto fica para depois. Falaremos sobre ele em breve, no Ciclo II deste serviço
socioeducativo.


Orientador,
reflita com os jovens se existem problemas socioambientais no bairro em que moram; quais
são os que lhes parecem prioritários para analisarem e como argumentam os jovens seu
interesse e sua motivação para atuação social do Coletivo no Ciclo II nos problemas
prioritários.

4.4. JUVENTUDE E SAÚDE
1. Adolescência, território e condicionantes da Saúde
O objetivo deste tópico é retomar com os jovens o instrumento desenvolvido no Percurso
Socioeducativo I para caracterização das vulnerabilidades sociais do território em que vivem e
que têm impacto nas condições de vida e de saúde, e verificar se ocorreram ou não mudanças.

No Percurso Socioeducativo I, os jovens iniciaram o mapeamento de fatores protetores e
fatores de risco e vulnerabilidade no território, criando um instrumento para acompanhar o
desenvolvimento das condições locais de saúde. Neste percurso, a proposta é que cada
Coletivo retome este mapeamento para atualizá-lo e refleti-lo coletivamente


ATIVIDADE 1 – Retomar o mapeamento de fatores protetores e fatores de risco e
vulnerabilidade no território
Material de apoio: mapa do território onde funciona o Coletivo e dos bairros adjacentes;
pincéis atômicos: verde e vermelho; uma folha grande de papel pardo e uma folha grande de
papel manteiga.

Levantar com os jovens a “fotografia atual” do território mostrando fatores protetores
e de risco e vulnerabilidade na área da saúde e comparar com a “fotografia inicial”
desenvolvida no Percurso Socioeducativo I. Verificar se houve avanços e/ou recuos; onde
ocorreram (se ocorreram) e que situações permaneceram iguais. Debater, em pequenos
grupos, os motivos dos avanços e do recuo, bem como os motivos que levaram alguns pontos
a ficarem estacionados – sejam eles positivos ou negativos. Em outras palavras, verificar o que
contribuiu para manter pontos positivos de proteção em funcionamento e o que levou pontos
negativos, de risco, a persistirem.

Dicas

Lembre-se que no Percurso Socioeducativo I o mapa do território foi elaborado considerando:

a) Fatores protetores: serviços públicos de qualidade (educação, saúde, assistência
social etc.); possibilidades de lazer e culturais; oferta de trabalho digno e associativismo
comunitário.

b) Fatores de risco e vulnerabilidade – Exemplo: focos de prostituição, de venda e
consumo de drogas; trabalho degradante; trabalho infantil; travessia de autoestrada sem


passarela ou sinal de trânsito ou trevo; locais ermos e sem policiamento; iluminação pública
precária; manipulação política da população etc.

O território deve ser mapeado, apontando em vermelho, os locais do bairro onde se
encontram fatores de risco à saúde e em verde, os locais onde prevalecem fatores protetivos.

Orientador Social, você deve ajudar os jovens a levantar as ações que foram sendo
criadas (a cada percurso socioeducativo deste Ciclo I) e que indicam o que foi feito para
monitorar fatores protetores e de risco na área da saúde. Neste exercício é importante
observar se houve algum movimento de pontos neutros ou verdes para vermelhos (riscos e
vulnerabilidades) ou o inverso, procurando entendê-lo.

Elaborar com os jovens um quadro para cada Percurso Socioeducativo com as ações
levantadas e o que aconteceu com cada uma delas – esta atividade deve ser desenvolvida com
muita atenção, pois será importante na condução do Ciclo II de trabalho socioeducativo do
Projovem Adolescente.

Sugerimos que se divida o Coletivo de jovens em quatro grupos e cada grupo se
encarregue de fazer o levantamento de cada um dos quatro Percursos Socioeducativos.
Depois, no Coletivo, poderão analisar juntos como caminharam ao longo dos percursos.

No caso da tarefa da elaboração do mapa do território não ter sido desenvolvida nos
percursos anteriores, a tarefa continua sendo a de dividir o coletivo em quatro grupos para
pensarem sobre porque não realizaram esta atividade tão importante para o Coletivo e para os
territórios em que habitam.

O segundo passo deste plano alternativo à atividade proposta é verificar o que
conseguem ainda realizar. Sugerimos que você, Orientador, dê o tempo que for preciso para
que os jovens se empenhem e mergulhem profundamente nesta tarefa, sempre com seu
auxílio, lembrando novamente que este mapa será de extrema importância como eixo do Ciclo

II. Além disso o mapa vai servir como atividade de ligação entre os dois ciclos. Se houver um
período de interrupção do serviço entre os ciclos, planejem tarefas individuais para cada jovem
desenvolver no período de transição entre o fim do Ciclo I e o início do Ciclo II.
2 – Promoção de Saúde

O objetivo deste tópico é resgatar a reflexão sobre o significado da promoção à saúde para o
enfrentamento dos fatores de riscos que atingem os jovens.

Contamos com poderosa ferramenta para fazer frente ao quadro apresentado na
introdução do Ciclo I, quando, como mostramos, o adolescente pode encaminhar-se por vias


duvidosas e perigosas para fazer frente à invisibilidade social. Contrapondo-se a isso: as
próprias bases da promoção da saúde, em especial, as referentes à participação e ao
desenvolvimento de habilidades individuais. Através destas se abre a possibilidade de inverter
essa dinâmica perversa, via participação ativa dos jovens em atividades importantes da
comunidade em que moram, valorizando-se então o ‘ser ao fazer’, conforme escreveu o
jornalista e historiador uruguaio Eduardo Galeano: “somos o que fazemos para transformar o
que somos”.

Inspirando-se nas ideias acima se pode travar um bom combate com outras formas de
“protagonismos”11 que vêm sendo praticadas por muitos adolescentes brasileiros. Dentre
estas, citamos as ligadas à afirmação violenta da virilidade masculina, à falta de perspectivas,
às decorrentes das lógicas mercadológicas, as que advêm da privação de lugares e ambientes
comunitários saudáveis, e, por vezes, da exposição a ambientes onde acontece inversão dos
valores moralmente praticados pela maioria da população e de acordo com e as leis vigentes.
A dominação territorial de grupos à margem da lei cria e aumenta ambientes insalubres e de
risco, nos quais há traços específicos de linguagem, comportamentos, atitudes, e até leis
próprias que permitem caracterizá-los como uma cultura ou subcultura diferenciada, como as
ligadas aos comandos do tráfico de drogas em alguns pontos de favelas cariocas e paulistas.

Essa forma de inserção social ocorre à custa de muitas mortes – como vimos no
Percurso III, muito sofrimento familiar, desagregação comunitária e afrouxamento das redes
sociais, tornando-se um importante e amplo desserviço – ou mesmo uma ameaça – para os
adolescentes e para a sociedade, como um todo. Este assunto precisa ser discutido
abertamente com os jovens, como uma condição para fortalecer o seu bem-estar físico,
mental e social.

Dentro do corpo teórico da promoção da saúde encontramos vários caminhos para
fortalecer os jovens diante dos aspectos mencionados acima. Encontramos essas formas
também na Política Nacional de Promoção da Saúde (PNPS) cuja leitura (que pode ser feita em
partes) sugerimos seja procedida em grupo.

Dica

A Política Nacional de Saúde está disponível através da Internet:
http://portal.saude.gov.br/portal/arquivos/pdf/portaria687_2006_anexo1.pdf Tem como um
dos seus três eixos de sustentação, o Pacto em Defesa da Vida (p. 3), seguindo a ideia do SUS
de operacionalização de uma Política de Estado, buscando a melhoria da qualidade de vida e a
afirmação ao direito à vida e a saúde.

A palavra protagonismo vem de protagonista que é aquele que é figura central em algum
acontecimento, vem do teatro, onde designa a personagem principal (AURÉLIO, 1968, p. 1148-1149).


O documento mencionado apresenta políticas públicas que defendem a saúde e a vida,
que estimulam o protagonismo dos cidadãos fortalecendo, por exemplo, a participação social.
Propõe-se dar um passo além do controle social (que é instrumento fundamental, como vimos
no Percurso I, para garantir com a participação popular a transparência dos gestores),
mobilizando-se nos processos participativos a criatividade e espírito inovador. E é sob este
espírito que o trabalho em rede favorece o planejamento das ações vinculado às necessidades
percebidas e vivenciadas pela população nos diferentes territórios – e garante a
sustentabilidade dos processos de intervenção nos determinantes e condicionantes da saúde12 .
E é este o importante e difícil passo que a área de saúde propõe-se a dar, ultrapassando seus
limites enquanto setor ou disciplina, uma vez que é sabido que o processo de saúdeadoecimento está ligado também às condições gerais de vida dos sujeitos nos territórios: às
condições de trabalho, de transporte, de qualidade do ar, de saneamento de alimentação, de
lazer – que condicionam e explicam a saúde. A promoção da saúde envolve, portanto,
desenvolver a integralidade, equidade, responsabilidade sanitária, intersetorialidade,
informação, educação, comunicação e sustentabilidade.

· ATIVIDADE 2
A proposta de trabalho aqui é buscar mais informações sobre cada uma das diretrizes
acima para que se possa debatê-las com os jovens. Este debate sistematizado será o ponto de
partida para o desafio seguinte: fazer um roteiro de atuação no território, seguindo as
diretrizes – ou bases – da promoção da saúde, com ênfase nas ideias de participação social,
com o objetivo de iniciar um processo que contribua para mudanças no território em um
ambiente cada vez mais saudável. Esta tarefa ocorrerá de forma articulada com o
acompanhamento e planejamento de ações referentes ao “mapa de fatores de proteção e de
risco”, cuja melhora significa, em última instância, melhorar o próprio território. Ou seja, o
mapa serve para levantar as ações necessárias, de modo objetivo e direcionado e as ideias
gerais presentes na promoção da saúde servem para dar o formato, o método, e a filosofia –
ou seja, o pano de fundo – sobre como desenvolver essas ações.

Acima está a ideia mais importante para realizar a tarefa. Abaixo seguem algumas
perguntas norteadoras, algumas dicas e possibilidades e um exercício para enfrentar o desafio
maior proposto acima:

12 Ver definição no Percurso I, 1º tópico da saúde: fatores, condições, elementos que contribuem
positivamente ou negativamente para a saúde local.


Dicas

E agora que já sabemos tudo isso... O que podemos fazer? Como eu participo do dia a dia de
minha comunidade, do meu bairro? Como eu poderia participar? Como poderíamos montar
grupos para participar e tentar fazer alguma diferença em diversos assuntos, instituições e
modos de funcionamento da comunidade?

Voltando ao início: o que é mesmo saúde? Já falamos muito sobre os direitos... E quais são os
deveres, responsabilidades e capacidades (potencialidades também) de um adolescente entre
15 e 17 anos?

Protagonismo, participação social, empoderamento... Que palavras são estas? Quais são as
diretrizes (pontos básicos) da promoção da saúde que interessam ao adolescente? A gente
coloca isso em prática no nosso dia a dia? Como?

Chegando próximo ao fim de nossa convivência neste Ciclo, a tarefa sugerida requer
reunirmos os frutos de nossos esforços até agora: cada grupo de quatro adolescentes, ao criar
uma atividade, a partir de alguma das diretrizes (pontos básicos) já discutidas da promoção da
saúde, vai colocá-las em prática em pequena escala, como um teste que permitirá, inclusive,
avaliar o nosso modo de fazer as coisas, como vimos no Percurso III. É aí? Onde será que isso
vai dar?

É importante conversar também com os jovens sobre como articular redes de apoio e
de serviços públicos no território: a intersetorialidade é só mais uma palavra difícil? Quer dizer
envolvimento de várias redes ou setores da administração pública, por exemplo, de uma
prefeitura. Como uma ação pode acontecer envolvendo diversos setores? Por exemplo: um
jovem que vive em situação de rua recebe atenção do Estado – este apoio deve ser integral
para atendê-lo como uma pessoa que precisa ter várias dimensões de sua existência acolhidas
e fortalecidas – a saúde, a educação, a habitação, a assistência social, os direitos humanos e
por aí vai. É possível que ele precise de cuidados intensivos em saúde, considerando-se que o
tempo de vivência na rua deve ter afetado sua saúde física e mental, e a atenção a ele
implicará em reverter os possíveis danos ocasionados. Precisará de intervenção médica para
desintoxicar-se? Quando o jovem parou de estudar? Como se pode incentivar sua volta à
escola? Este jovem vai morar onde? Ele sofreu maus-tratos? O jovem era ameaçado no local
em que morava? É possível contribuir para refazer os vínculos do jovem com seus familiares?

3 – Políticas públicas para a saúde do adolescente/jovem


O que são políticas públicas? Quais são as políticas públicas em saúde voltadas para os jovens?
E em relação ao adolescente/jovem: ele participa das políticas públicas?

· ATIVIDADE 3: Onde estamos?
Orientador Social, você deverá preparar esta atividade com a ajuda do técnico do CRAS (ou
de outro órgão municipal), fazendo-a ou completando-a, já que parte já deve constar do mapa
produzido anteriormente com os jovens. Poderá ser feito um levantamento da rede de
serviços públicos existente no território e nos bairros próximos, com foco, principalmente nas
redes da assistência social e de saúde. Você, Orientador, deve fazer também um levantamento
de dados sobre a qualidade dos serviços prestados pela rede da saúde e assistência social –
dados que possam ser obtidos a partir de perguntas simples, como por exemplo: ‘Que serviços
existem?’ e ‘Qual sua opinião sobre o atendimento que aqui é prestado?’ Estas informações
(ao menos as referentes à primeira pergunta) serão levadas para o encontro com os jovens,
para serem debatidas com eles.

Dica

Debater com os jovens e informá-los sobre as políticas públicas de Saúde e Assistência Social
que existem e que estão voltadas para eles; observar a relação que possa haver entre essas
políticas e o Projovem Adolescente. Debater com os jovens de forma específica o benefício de
transferência de renda do Programa Bolsa Família, garantido a algumas famílias de jovens que
integram o Coletivo, destacando que é direito previsto em lei, que visa, principalmente, suprir
seguranças básicas de sobrevivência para os membros da família. O Projovem Adolescente
integra a política pública de assistência social e está voltado para garantir aos jovens convívio
familiar e comunitário e proteção social, necessários às suas seguranças básicas e às condições
de desenvolvimento.

O Coletivo de jovens deve perceber o Projovem como um conjunto de ações
socioeducativas e atividades que terão como consequências prováveis diversos tipos de
ganhos para os jovens, tanto subjetivos como objetivos, interpessoais e na formação prévia
para o mundo do trabalho. Assim como também perceber o Projovem como uma ferramenta
que contribua para transformar as “cores no mapeamento do território”, enquanto fatores
protetivos e de riscos à saúde: do “vermelho ao verde”.

· ATIVIDADE 4
Perguntar aos jovens, sentados em círculo, como eles percebem os serviços públicos
oferecidos nos bairros em que moram? A partir de sua própria experiência e observação, como
percebem a qualidade destes serviços? Eles já precisaram usar os serviços de saúde ou de
assistência social antes? Ficaram satisfeitos?


Em seguida colocar algumas perguntas aos jovens: os serviços são suficientes? O que pode
ser feito para melhorar a situação? E informar que um bom começo é os jovens conhecerem
bem o que oferece o município e os municípios próximos, em termos de serviços públicos e
socializar essas informações no Coletivo. Sugerimos que o orientador acrescente ao mapa de
fatores protetivos e de risco, aspectos provenientes do levantamento feito sobre os serviços e
que não tenham sido incluídos no momento de confecção do mapa. Este levantamento deve
incluir ao menos os serviços do SUS (Sistema único de Saúde), como o PSF (Programa Saúde da
Família) e os do SUAS (Sistema Único de Assistência Social). Dedicar a este último um pouco
mais de tempo explicando o que é, para que serve e como está estruturado o SUAS e o PSF no
território. É uma boa oportunidade para que vocês do Coletivo convidem alguém do PSF para
falar sobre a atuação deles no território, valendo o mesmo para a assistência social,
convidando algum técnico do CRAS. Provavelmente os serviços já terão sido incluídos no mapa
como fatores protetores, e agora temos a oportunidade de ver se os serviços oferecidos são,
de fato, um ponto verde no mapeamento do território, esta é uma tarefa da maior
importância. Para esta verificação é altamente válido e recomendável que os jovens,
acompanhados inicialmente pelo Orientador Social, se imbuam novamente do espírito
pesquisador, como no Percurso III, e vão a campo, aos locais em que os serviços são prestados
e façam uma pesquisa qualitativa sobre o grau de satisfação dos usuários. Esta será apenas
uma etapa prévia, como um exercício. Os métodos para esta pesquisa serão melhor
desenvolvidos no Ciclo II.

Perguntar em seguida para os jovens. ‘O que é atenção integral à saúde do adolescente?’
Aguardar para ver se respondem, para então falar um pouco sobre esta outra importante
mudança (garantia de atenção integral), que está ligada às garantias legais formalizadas em
1988, a maior parte delas, em relação à infância e à adolescência, reunidas no ECA – Estatuto
da Criança e do Adolescente (caso eles não tenham um exemplar, procurar ver, com a ajuda
deles, se é possível conseguir um, seja através de Conselhos Tutelares, seja através dos
Conselhos de Direitos da Criança e do Adolescente ou alguma outra instituição da rede). A
integralidade na atenção à saúde enfatiza que os serviços da saúde devem estar voltados à
promoção, proteção e recuperação da saúde, e prestados de forma descentralizada e
garantindo participação social que inclui o controle social da população sobre os serviços e uso
de verbas públicas.

A integralidade entendida não apenas articulada e em sintonia com as estratégias de
promoção da saúde, mas ampliada para contemplar a escuta dos trabalhadores da saúde na
relação com os usuários, deslocando a atenção do adoecimento localizado e dos sintomas,


para o acolhimento da história do usuário, suas condições de vida e de suas necessidades em
saúde, ou seja, dele como pessoa, como sujeito de direitos e com uma história particular.

Outro exemplo da integralidade na saúde, e que registra dados desde o início da vida das
pessoas, está nas informações contidas na carteira de vacinação, texto que merece ter partes
lidas em grupo.

Orientador Social, passe então à atividade 5.

· ATIVIDADE 5
Divida os jovens em grupos de cinco. Garanta que todos os subgrupos tenham um
exemplar da caderneta de saúde da criança, que substituiu a antiga caderneta de vacinação,
ou, pelo menos, que tenham cópia da página n° 08 da caderneta atual (2008) que é entregue
para os pais de cada brasileiro que nasce. Eles devem ler atentamente e debater item por item

o que consta como direitos fundamentais, quase todos extensivos da infância para a
adolescência. Refletir com os jovens se tiveram e se têm atualmente estes direitos respeitados
e como fazer para que sejam de fato respeitados. Para os jovens que tiverem filhos,
recomenda-se que participem da atividade a partir de seu papel de pai/mãe, pensando sobre o
respeito aos direitos de seu bebê ou de sua criança. Ao fim do tempo determinado para a
discussão em pequenos grupos, o Coletivo volta a reunir-se em círculo, sendo apresentado um
resumo das considerações de cada grupo por um porta-voz deste, lembrando que o ponto de
vista de mães e pais é muito importante e deve ser contemplado na conversa entre todos.
Esta pequena lista de direitos já é uma boa pauta para ilustrar direitos pelos quais vale à
pena lutar também no Ciclo II do Projovem Adolescente.

Curiosidade

O avanço que representa a ideia de integralidade em saúde nos faz lembrar a importante
descoberta feita por um médico chamado Balint (1986). Ele percebeu que, para além do
tratamento clínico técnico eficiente aos problemas de saúde dos pacientes, havia alguma outra
coisa que fazia grande diferença para a recuperação do paciente: a própria relação médico-
paciente. Quanto mais o médico via a pessoa que atendia apenas como um órgão ou como
uma doença a ser curada, mais difíceis tornavam-se os processos de recuperação e vice-versa.
Ver o paciente como pessoa inteira e escutá-lo como tal, ajudava na recuperação. Perguntar
então aos jovens para fechar esta parte: Por que vocês acham que acontecia isso? O que afinal
estaria por trás desta diferença na recuperação?

Como ampliar nossa ação e criar ambientes saudáveis?



O que significa um desenvolvimento local integrado e sustentável? É possível esboçar
um plano em pequena escala nesta direção? Então vamos, podemos aqui trabalhar de forma
integrada com o tema meio ambiente.

Sobre estes assuntos nos debruçaremos no Ciclo II.

Orientador,
ao longo dos quatro Percursos do Ciclo I os jovens vieram montando um “Mapa sobre os fatores
protetores, de risco e vulnerabilidade em saúde”, existentes no território. Este “Mapa” é uma
excelente ferramenta para refletir sobre as condições de saúde da população e sobre as
potencialidades e oportunidades de soluções dos problemas que se apresentam e que podem se
tornar foco da atuação dos jovens no Ciclo II. Proponha agora aos jovens do Coletivo que identifiquem
e organizem uma forma de intercambiarem e de socializarem as descobertas registradas no “Mapa”
com outros Coletivos de jovens que há na região.
4.5. JUVENTUDE E ESPORTE E LAZER
1 – Organização da comunidade tendo em vista as esferas Local-Global
O objetivo deste tópico é mostrar ao jovem a relação entre o local e o global, ou seja, que a
atuação desenvolvida por ele no bairro/território em que vive, influencia e é influenciada pela
realidade em sua totalidade.

Neste percurso socioeducativo, você, Orientador Social, terá a função de dar sequência
à pesquisa realizada anteriormente, além de pensar com os jovens projetos que futuramente
possam contribuir com as políticas públicas. Para isso será necessário debater sobre formas de
organização dos jovens do Coletivo, na perspectiva do desenvolvimento de ações coletivas.

A compreensão do Local-Global

Para iniciarmos as discussões a respeito do local e do global, precisamos levar em
consideração que cada realidade apresenta uma singularidade, influenciada pelas questões
mais gerais da sociedade. Uma ordem econômica global, que busca impor-se em todos os
lugares, na tentativa de se efetivar uma única forma de pensar. No entanto, os lugares
respondem ao mundo, demonstrando singularidades que procuram subverter a tentativa de
homogeneização do pensamento. Nessa perspectiva, na concepção de Santos (2006, p. 273),
“cada lugar é, ao mesmo tempo, objeto de uma razão global e de uma razão local, convivendo
dialeticamente”.


Para melhor compreendermos como se constrói essa relação na realidade concreta no
território em que o jovem vive, podemos tomar aqui um exemplo: no bairro em que o jovem
reside, existem espaços e equipamentos de esporte e lazer, como por exemplo, um campo de
futebol em que seu uso é também influenciado, muitas vezes, pela mídia que acaba ditando
interesses, formas de agir, de vestir, de se relacionar. As diferentes marcas esportivas não
devem ser importantes para a aquisição de uniformes, chuteiras e bolas, por parte das crianças
e dos jovens, como nos querem fazer acreditar as grandes empresas do mercado esportivo
produzindo influências globais em nosso dia a dia. No entanto, o Orientador Social pode
contribuir para que esse espaço do campo de futebol, por exemplo, seja apropriado pelos
jovens de outra forma.

Pensando na forma de apropriação por parte dos jovens, mesmo sendo um campo de
futebol, outras manifestações da cultura corporal podem ser vivenciadas lá, como o jogo de
queimada, as brincadeiras populares, a capoeira, o bet’s (dança), entre outras práticas
corporais.

Para debater com os jovens

Procure conversar com os jovens, o que eles entenderam por local e global. Quais são as
possíveis relações que podemos fazer no dia a dia desses jovens? Para iniciar esse debate você
também pode pensar em alguns exemplos em que se observa tal relação. Lembre-se que o
local está diretamente influenciado pelas relações econômicas, sociais e políticas que são
regidas pelo global. No entanto, muitas vezes o local desenvolve ações que lhes são próprias,
pois cada lugar tem sua especificidade, sua relação de vizinhança, sua relação de cooperação,
de solidariedade, que acabam extrapolando a razão organizacional, característica da ordem
global.

As discussões em torno do global e do local são necessárias para que o jovem possa
compreender e dar sentido a suas ações dentro da comunidade. Não basta modificar o bairro
em que vive, pois este sofre influências políticas, sociais, econômicas, culturais dos bairros do
entorno, de sua cidade, dos municípios vizinhos, do estado, do país e do mundo.

As ações que os jovens podem e devem propor em seu território precisam estar
articuladas com a totalidade para que favoreçam a mudança e a transformação que são
necessárias.

Após discutirmos a relação entre o global e o local, necessitamos concretizar nossas
discussões em ações para que os jovens se sintam estimulados a atuarem em seus territórios,
buscando organizar-se para reivindicar junto às entidades competentes melhores condições e
acessos efetivos aos serviços de saúde, de assistência social, aos direitos humanos, ao
trabalho, à cultura, ao esporte e ao lazer.


· ATIVIDADE 1
Os jovens devem perceber como a comunidade se organiza a partir das atividades
esportivas e recreativas no seu tempo/espaço de lazer (a preocupação é perceber se as
práticas corporais desenvolvidas no território permitem alguma forma de organização
coletiva).

Devem também observar nos espaços existentes no seu território/bairro quem são os
responsáveis por seu funcionamento e sua manutenção, qual é a localização, o número de
pessoas que atendem, quais são os projetos (esportivos e culturais) existentes, a qual faixa
etária se destina e assim por diante. Para efetivar tal tarefa os jovens devem utilizar o roteiro
abaixo:

ROTEIRO DE OBSERVAÇÃO

Cidade: Data:

Espaço observado:

Descrição do perfil dos equipamentos existentes:
Os jovens ao iniciarem essa fase das observações devem descrever o histórico do local e do
equipamento; sempre existiu esse espaço ou se ele servia anteriormente para outra
finalidade? O que havia antes naquele lugar? Já passou por reformas? Quando foi inaugurado?
Qual é o órgão ou instituição que é responsável pelo equipamento/espaço? (Se é a Prefeitura,


o Estado ou se é uma empresa privada). Em que lugar se localiza seu endereço e quantas
pessoas costumam frequentar esse espaço.
Descrição do uso do espaço:

Os jovens devem descrever se existe alguma escolinha de futebol, basquete, vôlei, tênis de
mesa, ou outro projeto pensado para o espaço que esta sendo observado; quais são as
pessoas que costumam frequentar esse espaço – se são idosos, adultos, jovens, crianças; quais
são as práticas corporais vivenciadas ali e quais seriam outras possibilidades de outras
apropriações.

Dica

Tendo em vista as experiências corporais já vividas ao longo do Ciclo I o jovem tem condições
de ir ao território identificar quais são os órgãos responsáveis pelos espaços existentes;
quantas pessoas, aproximadamente, eles atendem e se existem projetos desenvolvidos na
comunidade seja pela prefeitura, por ONG’s ou instituições privadas e a qual/quais faixa(s)
etária(s) atendem.


2 – Síntese das ações coletivas (revendo o caminho percorrido para entender o tema)


O objetivo deste tópico é mostrar ao jovem o trajeto trilhado por ele nos quatro percursos:
partindo da concepção da cultura corporal, passou por ações de reconhecimento do grupo em
que conviveu, até chegar a ações que contribuam para modificar sua realidade, através de
pesquisas mais elaboradas sobre as condições existentes para praticar as manifestações da
cultura corporal, em favor da construção da cidadania coletiva.

Orientador, até este ponto, a intenção foi contribuir para a ampliação de seu
entendimento e dos jovens sobre o esporte e o lazer, tomando como perspectiva de
explicação, interpretação e aporte teórico-prático a cultura corporal.

Através de um olhar histórico para as manifestações esportivas e de lazer, diferentes
pontos de vista foram apresentados aos jovens. Neste processo, constatamos que o esporte é
uma manifestação da cultura corporal que merece tratamento cuidadoso, para que não se
reforce um entendimento desta prática baseada, exclusivamente, nas informações veiculadas
pela mídia, muitas vezes enganosas.

Com base nesta concepção forjada sobre o esporte e o lazer – sempre contraditória –,
partimos para ações de organização coletiva, através de pesquisas sobre os equipamentos e
espaços de lazer, relacionando a concepção de cidadania baseada na valorização do coletivos,
em que a juventude é sujeito de mudança de sua realidade com capacidade de intervir e
contribuir na transformação das situações de abandono e desigualdades.

Fazer com que o jovem perceba que, mesmo tendo espaço no seu bairro para a prática
das manifestações da cultura corporal, se não lhe forem garantidos os equipamentos
necessários, de nada valerá. Por isso, ter uma quadra e não ter bola, rede ou tabela, de nada
adianta. Neste sentido, a organização coletiva deve orientar ações que contribuam para gerar
serviços decorrentes de políticas públicas. Não que o jovem seja responsável pela elaboração
das políticas, mas pode se inserir nas discussões sobre orçamentos e planos diretores, por
exemplo, a fim de buscar garantir seu direito ao lazer e ao esporte e o da comunidade, sem
esquecer que o responsável por isso é o Poder Público, em primeiro lugar.

Cumpre destacar, por fim, que as ações deste tema – Esporte e Lazer –, no Projovem
Adolescente, partem do reconhecimento da cultura corporal do sujeito até chegar às ações
que aprimoram estas práticas, agora envolvendo todo o Coletivo de jovens.

· ATIVIDADE 2

No tópico dois, apontamos que os jovens devem pensar em concretizar ações que não
se restrinjam ao território/bairro em que vivem, mas que possam servir de exemplo para
outras comunidades. Assim, a atividade que propomos tem como objetivo construir propostas
de atuação dos jovens em seus territórios.

Os jovens deverão formar grupos com cinco integrantes, mas que não sejam os
mesmos que se envolveram em atividades anteriores. Cada grupo deve preparar um projeto
simplificado de atuação no bairro, na área do esporte e lazer para a comunidade em que vive.

Após toda a sistematização dos roteiros de observação realizados, os jovens têm
elementos para proporem ações. No entanto, precisam de um roteiro que facilite suas ações.

a)
Primeiramente os jovens precisam compreender as características dos locais, dos
territórios/bairros onde vivem, ou seja, precisam saber quais são os aspectos que
influenciam positivamente e negativamente o local. Dessa forma, precisam saber
se existem grupos artísticos, grupos de hip-hop; se há uma organização a respeito
de times esportivos e quais são os espaços físicos considerados potenciais para
pensar na ação coletiva? Caso não exista espaço para efetivar a ação, em quais
lugares poderiam improvisar? (Eles já têm alguns elementos que foram
pesquisados anteriormente).

b)
Outro ponto que deve ser levado em consideração é procurar identificar as
lideranças comunitárias (e os grupos de pessoas que elas representam),
contatando-as, seja nas associações de moradores ou com os sujeitos que são
reconhecidos como lideranças no local. (Caso não o tenham realizado, a partir das
tarefas e roteiros anteriores).

c)
Após o mapeamento realizado nos itens anteriores os jovens devem propor uma
reunião com as lideranças locais, com pessoas por eles representadas e com
moradores do bairro, interessados em contribuir com essa ação, para poder buscar
efetivar a proposta.

Orientador,
as informações recolhidas pelos jovens a partir dos “Roteiros de Observação de Espaços de
Esporte e Lazer no território”, devem ser interpretadas, discutidas, organizadas, contribuindo
para o processo dos jovens de entendimento da localidade em que vivem e para a expressão e

o exercício de escolha de focos de atuação dos jovens no território. Os resultados colhidos
podem ser preparados para serem apresentados a outras pessoas do bairro, por exemplo, em
um evento coletivo que marque o encerramento do Percurso IV e do Ciclo I.
Poderiam, por exemplo, ser montados três painéis expostos no evento:


· um que mostrasse a situação atual do território com relação a espaços de lazer e
esporte no bairro;
· outro que mostrasse os problemas, os limites e as dificuldades dos espaços existentes
para seu uso e oportunidades de lazer e esporte aos moradores da comunidade; e
· um terceiro que apresentasse as potencialidades e oportunidades que existem ou que
poderiam vir a serem desenvolvidas com a participação e a ação dos jovens.
4.6. JUVENTUDE E CULTURA
Um barco que veleje
Nesse informar
Que aproveite a vazante
Da infomaré
Que leve meu e-mail lá
Até Calcutá
Depois de um hot-link
Num site de Helsinque
Para abastecer
(...)
Eu quero entrar na rede
Promover um debate
Juntar via Internet
Um grupo de tietes
De Connecticut
Pela Internet (Composição: Gilberto Ciranda. FONTE Filho, Carlos da. Espetáculos
Gil) Populares de Pernambuco. Recife: Bagaço, 1999. p.
172.

Neste Percurso IV, o que foi discutido até então culmina na identificação de questões-
desafios, ou seja, problemas e potencialidades que mobilizam os jovens para fazer propostas
de ação, passíveis de se efetivarem no Ciclo II, atendendo demandas locais, mas fazendo uso
de recursos que poderiam perfeitamente “ganhar o mundo” e divulgar o que está sendo
realizado pelos Coletivos de pesquisadores do Projovem Adolescente. Cabe aqui também


pensar em tendências importantes do mundo atual, em especial as mudanças no mundo do
trabalho e no comportamento jovem.

A comunicação presencial, do “cara a cara”, do “olho no olho” continua sendo importante.
É aí que a confiança do grupo se formou. Mas as distâncias e os momentos em que não é
possível para todos estarem ao mesmo tempo no mesmo lugar podem ser contornados pela
ajuda das novas tecnologias. Saber como usar as tecnologias é um fato novo, mas saber como
lidar com as pessoas é uma questão que prossegue, afinal sempre foi e continua sendo uma
das bases da vida em sociedade.

Neste sentido, este percurso procura também destacar a potencialidade da cultura como
temática transversal, atividade humana que concilia todos os saberes e práticas desenvolvidas
pelas distintas temáticas. Na relação do indivíduo com o espaço, a cultura é um instrumento
para a apropriação e compreensão dos territórios. Busca evidenciar o quanto a cultura é
dinâmica, tendo como exemplos as tendências extremamente atuais da chamada cultura
digital. Mais do que nunca talvez, se pode contar com recursos cada vez mais presentes e
acessíveis e que podem ser usados para transformar a sua vida e a vida do seu grupo social.

Um paralelo possível entre as potencialidades dos novos recursos e a base cultural dos
participantes é a ideia de textos abertos para as opiniões de todos, o que é possível através de
blogs e listas de discussão através de e-mails. Assim como as indagações feitas durante os
percursos para estimular o pensar-sentir de todos e a expressão de suas opiniões, estes
“textos abertos” para as opiniões de todos podem ajudar a colocar e responder indagações
pontuais do grupo de jovens em seu contexto. Assim, o que cada um sabe sobre o assunto é
valorizado e todos vão conseguindo compreender a construção coletiva do conhecimento,
como algo que parte de um “senso-comum” e que vai sendo enriquecido pelas opiniões
diferentes.

Outro aspecto fundamental é que não há soluções prontas exatamente para o que o grupo
precisa. Em termos de recursos, os participantes terão que aprender aos poucos como “filtrar”

o que é realmente pertinente dentre tudo o que é oferecido, como programas e serviços
gratuitos. Já no que diz respeito às possibilidades de ação, os exemplos oferecidos merecem
realmente ser conhecidos, mas devem servir mais de inspiração do que como modelos a serem
simplesmente copiados. E esta lista é apenas um ponto de partida para se navegar entre
tantas outras iniciativas existentes no país que também podem sugerir boas ideias para o
grupo.

Cabe agora estimular os participantes ao sonho e à progressão das conquistas de direito, à
expressão da vontade de agir frente a uma realidade que se quer contribuir a mudar. Já sabem
valorizar as conquistas do presente, cabe continuar e lhes dar um encaminhamento para um
futuro. Eles já avaliaram e mapearam a sua realidade em volta, agora cabe trabalhar a
criatividade, a autonomia, a capacidade de projetar e planejar para, posteriormente, no Ciclo
II, executar. Mais que inclusão digital, o que se deve buscar é a inclusão cultural como um
todo. Nesse sentido é preciso fazer o grupo ir além dele mesmo e se relacionar com as outras
pessoas do território/comunidade, como de outras iniciativas similares que têm muito a
ensinar aos grupos e, quem sabe, mais adiante aprender também. Em ambos os casos
novamente tanto a comunicação direta como a mediada pelas tecnologias coexistem e se
complementam, pois o que é realmente importante é a comunicação em si, com o
aprendizado e a ação que ela viabiliza.

Dica

Este último percurso do Ciclo I visa agregar os temas discutidos ao longo do ano numa
proposta de realização que leve a público as atividades do grupo e consolide o
comprometimento dos participantes. Dentro das possibilidades locais, o grupo deve procurar
tecnologias úteis, agora não mais apenas para buscar informação, mas sim, para se organizar e
para se comunicar entre si e com o mundo.
Estimule:
· o questionamento de recursos que já são usados de forma natural pelos jovens, como e

mail gratuito, em contraste com a posição dos mais velhos que tendem a desconfiar das
facilidades oferecidas;


a discussão da Inclusão Digital e sua importância para diminuir diferenças e dinamizar as
transformações culturais em curso.
1 – Cultura digital


O objetivo é propor ações efetivas ao alcance dos participantes integrados num Coletivo capaz
de pensar sua localidade. Destacar o uso das novas tecnologias de comunicação e a renovação
cultural do ser humano que faz uso da criatividade, da sua capacidade de sonhar e de executar.



A tecnologia em si não é boa ou ruim, mas amplifica e potencializa a
ação humana, tal como um megafone pode fazer o bom cantor
alegrar multidões e o desafinado incomodar muito mais gente!

SEABRA, Carlos. Inclusão Digital: algumas promessas e muitos
desafios. Revista Escola Viva, Ano I, No 1, jul. 2007. p. 36.

A cultura digital é caracterizada pelas várias formas de uso da Internet para
sociabilização. A Internet pode servir para manter contato com amigos, retomar antigas
amizades, ou ainda fazer novos amigos. Isso começou com mensagens de correio eletrônico,
páginas pessoais e programas de conversa em tempo real.

Depois começaram a surgir vários serviços com acesso gratuito que se baseiam em
redes sociais e permitem que as pessoas coloquem as informações que desejam mostrar sobre
si e ver as que outras pessoas apresentam. Assim, uma nova forma de se comunicar e de
estabelecer “trocas” vem se consolidando. Modelando novos meios de comunicação, pessoas
distantes se aproximam, encontram-se e criam relações, sensibilidades afetivas, trabalhos e
ampliam os conhecimentos. Tudo isso até bem pouco tempo parecia impossível. São
expressões da cultura do nosso mundo atual.

Internet gratuita? Mesmo?

Mas qual o sentido desses serviços serem de graça? As pessoas que os usam
fornecem informações sobre seus gostos pessoais, como músicas e filmes
favoritos. As empresas que fornecem esse tipo de serviço conseguem dados
sobre os interesses das pessoas e usam todas essas informações para investir
em alguns mercados ou buscar anunciantes para os seus sites. Isso revela o
alcance dessa tendência tecnológica e suas razões econômicas.

Entretanto o alcance da cultura digital se encontra limitado pela necessidade de
equipamentos, nem sempre acessíveis a todas as pessoas, muito embora várias localidades já
tenham serviços públicos de acesso à Internet. Outra limitação é de ordem educacional
técnica, pois lidar com um computador exige além de saber ler e escrever alguns
conhecimentos específicos que demandam tempo e alguma orientação.


Na medida em que saber usar computadores e Internet se torna uma exigência para
conseguir determinados trabalhos, a cultura digital gera também exclusão social. Neste
sentido, o que era solução também pode se tornar um problema. Há também a questão de
como as diferentes gerações lidam com os equipamentos.

Os jovens são os mais entusiasmados com o uso da Internet para sociabilização e
encontrar coisas do seu interesse, como músicas. Mas, a cultura digital não se limita a uma
faixa de idade. Embora as crianças aprendam com incrível facilidade, pois lidam com o
computador de forma lúdica, mesmo as pessoas mais velhas, quando conseguem “se desligar”
do medo de errar, descobrem que podem usar o computador e a Internet para tarefas que
antes exigiam deslocamentos, como fazer as compras da casa em um supermercado ou
encontrar um livro.

Mas, afinal será que a cultura digital facilita ou atrapalha a comunicação entre as
pessoas? Por um lado, realmente, facilita ao permitir contatos que a distância dificultaria e ao
criar novas formas de sociabilidades e de socialidades “virtuais”, mas se usada de forma
exagerada também pode prejudicar as outras formas de relacionamentos “presenciais” com as
pessoas que não estão “conectadas” e com o restante do mundo. Muitas pessoas que
começam a utilizar a cultura digital para se comunicar abrem mão de andar pela praça, do
encontro na casa de amigos ou de uma caminhada ao ar livre para ficar “protegido” em lugares
fechados sob a luz da telinha do computador. É preciso ter bom senso e não esquecer as coisas
boas que existem além da Internet como um bom passeio e uma conversa ao vivo, do “olho no
olho” com uma pessoa de quem se gosta.

Outros ainda questionam se as diversidades culturais ganham ou perdem com a
cultura digital. De fato, a televisão tende a enfatizar um determinado padrão cultural sobre o
restante das diversidades locais. Já a Internet permite algumas formas de expressão direta dos
indivíduos, como blogs, o que pode ser usado para afirmar sua cultura. E as comunidades
podem fazer o mesmo, não apenas na Internet, mas também podem reivindicar espaços em
rádios e televisões educativas e comunitárias.

Inclusão Digital

"Num mundo em transformação, onde cada vez mais o computador é o veículo de
transporte da mente e um instrumento essencial de trabalho, não podemos preparar
as novas gerações para um mundo de subalternidade (...) Afinal, não basta apenas
surfar na Internet: também é preciso aprender a fazer onda (...) Assim, é necessário
frisar que a inclusão digital não é apenas ensinar a utilização da tecnologia ou


disponibilizar o acesso à rede: é preciso haver um trabalho de identificar as demandas
informacionais da população a alcançar. A produção de conteúdos deve ser vista como
uma estratégia importante no processo de inclusão, somando-se aos demais esforços,
como formação e capacitação de multiplicadores, criação de redes locais e
comunidades virtuais, bem como integração com políticas públicas e ações de
responsabilidade social."

SEABRA, Carlos. Inclusão Digital: algumas promessas e muitos desafios. Revista Escola
Viva, Ano I, No 1, jul. 2007. p. 36-39

Dica

Assim como as novas tecnologias trazem vantagens, trazem também novas demandas e agora
é o momento de avaliar quais as novas possibilidades e exigências que os jovens irão
enfrentar. Trabalho, tecnologia, conhecimento, tudo isso é cultura. Em especial são aspectos
da cultura decisivos para os jovens que precisam se consolidar como cidadãos.
Estimule:


a avaliação dos aspectos positivos e negativos das novas tecnologias no trabalho e no
convívio das pessoas.

a exposição de opiniões sobre o que cada um considera realmente positivo ou não. E
quais aspectos “negativos” aceitariam em função de outros “positivos”.
O trabalho na era digital

Além de novas tecnologias, a cultura digital promove uma série de mudanças de
possibilidades de vida das pessoas. Isso não diz respeito apenas a novas profissões que
surgiram (como a de programador) e outras que se viram ampliadas ou praticamente
reinventadas (designer, publicitário). Várias profissões tradicionais (professor, médico,
secretária) ganharam com os novos recursos. Também vários serviços como bancos e
bibliotecas mudaram muito e passaram a exigir trabalhadores mais qualificados.

Mas os limites de trabalho e lazer nem sempre são muito claros na Internet. Muitas
vezes, o que seria lazer ou outras atividades pessoais, invadem o tempo e o espaço de trabalho
e cada vez mais as pessoas fazem parte do seu trabalho em sua casa. Algumas empresas e
escolas adotam normas e até usam recursos para bloquear o que não diz respeito ao trabalho
ou estudo. Já os “trabalhadores on-line”, contratados ou autônomos que trabalham em suas
próprias casas, vivem uma condição de tempo de trabalho indefinido, algumas vezes até


assumindo uma carga de trabalho maior que a usual para o trabalho num escritório com
horários para chegada e saída.

Ainda é cedo para afirmar o quanto mais o trabalho vai mudar no mundo digitalizado e
globalizado, mas é certo que as transformações vão continuar. Com elas, além de
possibilidades, muitas exigências. Procure conhecer mais sobre essas novas formas culturais,
pois podem fazer diferença na sua vida.

Dica

Com os conhecimentos adquiridos nos percursos anteriores e uma perspectiva crítica da
cultura digital é hora de lançar mão de alguns recursos que estão aí disponíveis. Com algum
equipamento básico e vontade de aprender já é possível começar um projeto simples, que não
precisa ser perfeito e livre de erros. O importante é começar! Esta é a ideia principal deste
percurso: mais que um fim, uma transição, a sugestão de novos começos para o grupo e seus
participantes. Para inspirar, apresentamos alguns exemplos de outras iniciativas.
Estimule:


a visita aos sites dos exemplos apresentados e, se relevante, estimule que façam algum
contato através de e-mail para troca de ideias;

a apresentação de diferentes projetos para a atividade final dentro do próprio grupo,
que deverá avaliar qual a ideia mais viável, mas incorporando elementos interessantes
dos outros projetos para compor a versão a ser executada.

a experimentação de recursos livres da Internet, com avaliação do grupo de quais as
melhores alternativas para as suas atividades.
Como fazer a “onda” ao invés de apenas “navegar”?

Esta parece ser uma boa ideia: mostrar para o mundo alguma coisa sobre o local onde
os jovens vivem. Pense a respeito da sua identidade cultural e as diversidades culturais que
conseguem observar em seu bairro e na sua cidade. Vocês conseguiriam definir o que é a
cultura local de onde vocês vivem e apresentar em um programa de televisão, rádio ou jornal?
Fazer um site ou um blog? Comunicar-se por e-mail ou em tempo real com alguém que vocês
queiram? O que lhes parece?

Colamos abaixo alguns sites para vocês se inspirarem e para lhes ajudar fazer parte da
cultura digital. “Naveguem” ou “surfem” pelas ondas do mar da cibercultura. Vejam o que é
possível falar do que está sendo feito em sua comunidade para melhorar a vida das pessoas.
Cabe uma dica: antes procurem saber sobre outras iniciativas neste sentido e as experiências


que podem lhes ajudar a começar melhor. Aproveitem as facilidades da Internet e mãos à
obra.

Recursos digitais

Alguns recursos que você pode usar de graça na Internet. Todos eles podem ser
acessados em quase todos os computadores e irão facilitar muito a sua vida:

Buscas: procure e encontre grande parte das informações que precisa com
serviços como Google (google.com.br), Yahoo (yahoo.com.br), MSN
(msn.com.br) e outros.

Correio eletrônico: permite você trocar mensagens com seus colegas e pedir
mais informações. Os serviços de buscas oferecem as opções mais usadas e
consolidadas.

Blog: permite publicar suas próprias páginas na Internet, como notícias, e ainda
receber comentários de quem lê. Também há centenas de opções. As mais
conhecidas são o Blogger (blogger.com) e o Wordpress (pt-br. wordpress.com).

Programas livres: se puder instalar nos computadores que tem acesso, procure
experimentar programas que possam ajudar no seu trabalho. Para mensagens
instantâneas os mais conhecidos são o MSN Messenger ou o próprio Gmail com
a opção "bate papo". Há também navegadores rápidos e seguros como o Firefox
(br.mozdev.org). Podemos encontrar programas como o Open Office
(broffice.org), para tarefas de escrever textos, imprimir, fazer planilhas de
cálculos e apresentações, e até sistemas completos como o Linux Ubuntu
(ubuntu-br.org), que já trazem vários programas consigo.

Ponto de Cultura

É uma iniciativa do Ministério da Cultura (MinC) nos municípios, para incentivar projetos
culturais através de parcerias entre o poder público e a comunidade. Conforme as
necessidades do projeto, o MinC pode oferecer recursos e equipamentos que ajudem na sua
continuidade.

www.cultura.gov.br/programas_e_acoes/programa_cultura_viva/pontos_de_cultura


Casa das Artes

Com diversos projetos na área da educação e cultura, a Casa das Artes apoia a continuidade do
ensino fundamental e médio das crianças e jovens das favelas do Rio de Janeiro e a sua melhor
integração com a sociedade. Sua estratégia para inclusão e formação integral e complementar
que busca revalorizar as comunidades locais. Além de visitas guiadas a museus e centros
culturais, a Casa de Cultura promove também produções em vídeo, oficinas de grafite,
fotografia e linguagem corporal. www.casadasartes.org.br

Rádio Margarida
O Centro Artístico Cultural de Belém, conhecido como Rádio Margarida, é sempre lembrado
em Belém do Pará pelo velho ônibus com alto-falantes que circula pela cidade funcionando
como uma mistura divertida de rádio e escola ambulante. Oferece a quem está por perto
notícias, informações sobre saúde, higiene, educação, direitos humanos, ambiente e cultura da
Amazônia. Seu método de trabalho inclui teatro de rua, teatro de bonecos, malabares, rádio-
teatro ao vivo e transmitido (em parceria com estação de rádio local), vídeo, televisão popular
e jornal comunitário. www.radiomargarida.org.br

Conexão Felipe Camarão

O Ponto de Cultura Conexão Felipe Camarão é um projeto que complementa a formação
educacional de crianças, jovens e adolescentes do bairro de Felipe Camarão, Natal, Rio Grande
do Norte, com o resgate da cultura e identidade local. Oferece oficinas de Auto do Boi de Reis,
capoeira, musicalização de flauta, pífano, rabeca e lutheria (artesanato de instrumentos
musicais). O Auto do Boi de Reis, e o resgate de personalidades do bairro, como Mestre
Manoel Marinheiro são reconhecidos como patrimônio imaterial pelo MinC.

www.conexaofelipecamarao.org.br

· ATIVIDADE 1: “Territórios valorizados”
Atividade integrada, que reúne os seis temas transversais desenvolvidos neste
percurso socioeducativo na organização e realização de uma “Festa Comunitária” ou um
“Festival Cultural”;

· Objetivos:
(a) socialização, entre os Coletivos do bairro e da região e com a população do

território, dos saberes construídos pelos jovens a partir dos temas transversais
e o que aprenderam sobre a realidade dos territórios;

(b) socializar entre os Coletivos e com a comunidade, o levantamento de
desafios encontrados no território e, dentre eles, aqueles que foram
escolhidos pelos jovens para atuação social, apresentando também as ações
que se pretende desenvolver ; e
(c) encerramento e avaliação do Ciclo I e confraternização entre os Coletivos;
A atividade requer tempo e integração de ações entre os Coletivos: a proposta é que
se dedique a ela tempo semanal, previsto nos Encontros e nas Oficinas para planejamento /
organização / desenvolvimento / avaliação da atividade.

Essa é a ocasião de valorizar o empenho de todo o grupo no sentido de concretizar as
práticas propostas ao longo do ano. O objetivo aqui é completar as pesquisas iniciadas nos
percursos anteriores criando uma espécie de “Inventário da Localidade”, lúdico e atrativo,
culminando em uma “Festa” ou um “Festival Cultural” observando as tradições da cultura local
na culinária, brincadeiras, danças, jogos etc.

A atividade visa integrar todas as habilidades de geração do conhecimento adquiridas,
voltando a programação para o conjunto da sociedade. Além da integração de todas as
temáticas tratadas ao longo dos quatro percursos do Ciclo I, os jovens, com os Orientadores
Sociais e Facilitadores de Oficinas devem articular conhecimentos e práticas. O uso das
diferentes metodologias de pesquisa (exploração pelo território, compreensão das formas de
expressão escrita e de imagens), estimuladas por todos os temas tratados. De acordo com as
disponibilidades técnicas e a capacidade coletiva de firmar acordos de cooperação e parcerias
esse último percurso que estimula o uso da cultura digital (computadores e Internet), poderá
oferecer um alcance maior para as atividades de planejamento, organização e divulgação.

As exigências da atividade podem variar de acordo com o tamanho e o contexto do
grupo de jovens, mas aqui seguem algumas sugestões iniciais:


levantar com os jovens todas as pesquisas realizadas e/ou que ainda estão em
andamento e que foram feitas pelos vários temas trabalhados e buscar formas
criativas de apresentar esse inventário e os conhecimentos apreendidos sobre o

território. Por exemplo, podem-se colocar esses resultados sobre o mapa do bairro
(ou da região) utilizando diferentes linguagens gráficas criadas pelos jovens, que
ajudem a construir uma cartografia que revele as principais descobertas feitas nas
pesquisas;


os jovens podem fotografar pontos e locais do bairro ou da região onde moram, que
expressem tanto as situações e os dados levantados nas pesquisas, quanto outros
aspectos pouco conhecidos ou que mostrem a identidade da localidade. Os trabalhos
fotográficos podem vir a compor uma exposição que integre a “Festa” ou o Festival
Cultural”, possibilitando socializar com a comunidade as descobertas feitas pelos
jovens;


definir o local onde ocorrerá o evento com a comunidade para a apresentação dos
resultados das pesquisas e projetos realizados pelos vários temas e pelos Coletivos de
Jovens;

planejar os atrativos e montagem da programação completa do evento, definindo as
linguagens a serem utilizadas (teatro, música, dança, atividades circenses, atividades
culturais regionais, atividades esportivas e de lazer etc.);

identificar as necessidades para a realização das atividades;

identificar a rede de possíveis parcerias (recursos materiais e aprovação política);

elaborar cartas para solicitar apoios e patrocínios;

montar plano de divulgação e distribuição (definir quais os meios que devem ser
utilizados para melhor comunicar o evento);

providenciar Impressos – Jornais, cartazes, filipetas e convite para a festa;

fazer um Release (uma pequena síntese informativa sobre o evento) para a imprensa
local e divulgação via Internet;

providenciar Convites oficiais (para apoiadores, financiadores, autoridades e
imprensa);

elaborar um livreto (pequena publicação) para divulgar os espaços públicos culturais,
de lazer, esporte, saúde e culturais que há na cidade;
· organizar a decoração dos espaços da festa/evento;


montar e desmontar equipamentos e materiais utilizados (incluindo limpeza e
reorganização do local utilizado);

avaliar no Coletivo e intercoletivos o evento realizado e os seus resultados.

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